Mas céu sem estrelas é bonito também. Eu gosto de nuvens no céu. Gosto de céu cinza, de dias nublados. Exceto quando quero ir à praia. Há dias em que ele parece estar mais baixo. Dá a impressão que basta estiar o braço para poder tocá-lo. Lembrei agora de um céu que eu adoro: aquele colorido do entardecer. Que eu nunca vi, em um dia sequer, ser igual a outro que já existiu. Gosto de nuvens carregadas de chuva. Outro dia vi na TV que existem caçadores de nuvens no deserto. Que roubam delas a água que se tornaria chuva em um outro lugar. Coitadas das nuvens; devem sentir-se como transportadores de cargas assaltados na estrada. Eu já quis capturar nuvens, todas as vezes que passeei pelo céu. Tenho um par de sapatos coloridos que parecem nuvens, mas têm cor de céu: é um azul assim...Feliz! Eu os coloco nos pés todas as vezes que é incontível a vontade de voar. É como entrar na roda gigante. É como gosto de pitanga madura. Tentei plantar pitangas no céu. Mas as sementes não tinham um par de sapatos azuis...E eu não pude emprestar o meu.
segunda-feira, abril 23, 2007
Almoço de domingo
Eu pedi para não jogarem fora a cabeça do peixe. Queria comê-la para colocar em mim memórias sonoras do mar. Mas a sua expressão pálida, apesar do dourado da fritura me fez hesitar. Seus olhos inertes alguma coisa me queriam dizer e eu não soube escutar. Devorei-o! Devorei o seu cérebro frito! Não, não havia cérebro, o que devorei foi sua cabeça oca, pois tudo que eu menos queria era digerir algum fragmento racional de um ser. Eu não preciso pensar, mas o que sinto muitas vezes me trai! É como a isca que ao peixe desatento atrai... Hoje comi sua cabeça servida frita numa bandeja fria, provocando em mim a sensação marinha de flutuar. Eu vi o mar no seu olhar estático e frio. Eu vi no seu olhar vazio o silencio [saudade] do mar.
sexta-feira, abril 20, 2007
Cantos Dos Emigrantes - Cordel do fogo encantado
Com seus pássaros
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram
De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
e uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram
De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
e uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram
sexta-feira, abril 13, 2007
Consumismo Infantil
- Alô, Clarinha? Você ainda tá brincando? Pode falar agora?
- Eu não estou brincando...
- Ah, titia te ligou ontem, no dia do seu é big. Queria te desejar feliz aniversário e não consegui falar.
- Não tem problema, você pode comprar um presente bem bonito e mandar pra mim.
Linda!!!
- Eu não estou brincando...
- Ah, titia te ligou ontem, no dia do seu é big. Queria te desejar feliz aniversário e não consegui falar.
- Não tem problema, você pode comprar um presente bem bonito e mandar pra mim.
Linda!!!
quarta-feira, abril 11, 2007
Estou feliz porque consegui lembrar deste poema em casa. Ele nasceu no ônibus, quando eu estava desarmada, sem caneta, sem papel e sem coragem pra perguntar quem tinha. Da pituba, fui pra federação, fiz a aula de tecido e voltei, sem perdê-la da cabeça. Só não sei o título, mas isso não é questão de esquecimento...
Amaram-se
Sem tomar um gole de vinho,
Sem uma gota de sangue na boca,
Sem um colorido de paixão se quer.
Amaram-se
Mal podeiam se encaixar no leito de amor
Mal sabiam se olhar
E tocavam-se sem pudor.
Amaram-se sem palavras,
Rimas,
Canções.
Por um instante efêmero odiaram-se
E não ficou na lembrança o tempo do não amar
Amaram-se de um modo tal
Que nenhum deles se reconheceu
Num abraço insolito despediram-se do amar sem rédeas
E o mundo todo amanheceu.
terça-feira, abril 10, 2007
Parabéns Amiga!!!!!
Hoje é aniversário de Clarinha. Aqu vai um post em homenagem a ela. Já que está na moda postar coisas antigas, vou publicar aqui algo que escrevi em 21 de fevereiro de 2003, às 11:10.

Estava com Clara dormindo em meus braços, olhando pro seu rosto tão sincero e doce. Pensando no seu medo de dormir sozinha, admirada com seu sono tranquilo em meus braços.
Sinto falta da inocência da infância
Do sono leve das manhãs de segunda feira
Da tranquilidade estampada na face
De traços leves, sem marcas do tempo.
Sinto falta da fase incessante das descobertas
Primeiros passos tímidos,
Primeiras sílabas tortas
Primeiro presente de natal.
Falta dos dias isentos de preocupação
Do tempo em que desconhecer a existência de futuro
Tornava possível viver um dia de cada vez.
Falta do carinho sincero
Do afago singelo...
Mas não me arrependo de ter crescido
Trago comigo a criança que sempre fui
Pelas experiências, pude construir o meu pensar
Tanto quanto quando criança,
Aprendi a fazer as minhas escolhas
Mas hoje pondero algumas coisas mais
E é disso que sinto falta
Falta de desconhecer consequencias
Da liberdade de agir sem pensar em reações
Falta de er meus desejos satisfeitos Sem precisar tanto me esforçar.
Não sei se ainda sorrio enquanto durmo
Até já esqueci do que via em meus sonhos
Que mundo era aquele que me impregnava a memória..
Sinto falta da insegurança que tinha em ficar sozinha
Hoje não me sinto sozinha quando estou só
Já esqueci da sensação de me aperceber do meu corpo
Juntar os dedos,
Tocar as mãos...
Equilibrava sonhos sobre passos inseguros
Hoje, com passos tão firmes, já não é tão fácil sonhar
O sono é pesado das preocupações do dia A gente já dorme pensando em acordar
Queria de volta aquela liberdade de fazer qualquer coisa pra chamar atenção
As paredes da casa coloridas com traços espontâneos
Brinquedos espalhados pelo chão
Tomara que estas lembranças jamais adormeçam
Que as sensações leves pra sempre permaneçam
Apesar do corpo crescido
Da relidade clara,
Da felicidade cara...

Estava com Clara dormindo em meus braços, olhando pro seu rosto tão sincero e doce. Pensando no seu medo de dormir sozinha, admirada com seu sono tranquilo em meus braços.
Sinto falta da inocência da infância
Do sono leve das manhãs de segunda feira
Da tranquilidade estampada na face
De traços leves, sem marcas do tempo.
Sinto falta da fase incessante das descobertas
Primeiros passos tímidos,
Primeiras sílabas tortas
Primeiro presente de natal.
Falta dos dias isentos de preocupação
Do tempo em que desconhecer a existência de futuro
Tornava possível viver um dia de cada vez.
Falta do carinho sincero
Do afago singelo...
Mas não me arrependo de ter crescido
Trago comigo a criança que sempre fui
Pelas experiências, pude construir o meu pensar
Tanto quanto quando criança,
Aprendi a fazer as minhas escolhas
Mas hoje pondero algumas coisas mais
E é disso que sinto falta
Falta de desconhecer consequencias
Da liberdade de agir sem pensar em reações
Falta de er meus desejos satisfeitos Sem precisar tanto me esforçar.
Não sei se ainda sorrio enquanto durmo
Até já esqueci do que via em meus sonhos
Que mundo era aquele que me impregnava a memória..
Sinto falta da insegurança que tinha em ficar sozinha
Hoje não me sinto sozinha quando estou só
Já esqueci da sensação de me aperceber do meu corpo
Juntar os dedos,
Tocar as mãos...
Equilibrava sonhos sobre passos inseguros
Hoje, com passos tão firmes, já não é tão fácil sonhar
O sono é pesado das preocupações do dia A gente já dorme pensando em acordar
Queria de volta aquela liberdade de fazer qualquer coisa pra chamar atenção
As paredes da casa coloridas com traços espontâneos
Brinquedos espalhados pelo chão
Tomara que estas lembranças jamais adormeçam
Que as sensações leves pra sempre permaneçam
Apesar do corpo crescido
Da relidade clara,
Da felicidade cara...
terça-feira, abril 03, 2007
Nestes dias de pouca inspiração, está valendo publicações retroativas de alguns textos. Não poderia deixar de registrar a minha carteira de motorista, que finalmente saiu (uhuhu). E também a cena interessante que vi hoje de um crente vendendo CD pirata na praça e cantando as músicas na maior empolgação.
Então...estava fuçando minha caixinha de coisas antigas, e encotrei o rascunho de uma carta, que achei bacana publicar aqui pq é carregada de sentimento...Na verdade, uma fotografia de um momento que experimentei.
...Lembro-me do dia da primeira transição. Estava no banho, e derrepente, meus olhos transbordaram. Sentia que a paixão estava morrendo para dar lugar a algo muito maior. Não sabia como chamá-lo, mas podia dizer que era rico em intensidade. Tentei compará-lo com alguma sensação outrora experimentada, aproximou-se um pouco do dia em que me apercebi do meu amor por meus pais. Meu Deus! Estaria eu amando?!. Mas o que me levaria a cultivar um sentimento tão sublime por alguém então pouco tempo? Sabia apenas que estava ali. Com o peito bombardeado de emoção. O corpo impregnado de sensações. E, além disso, uma paz irreconhecível. Não procurei saber a posição dos astros naquele momento, mas estava certa de que todos dançavam ao som da minha felicidade. Que bom! Por um instante senti-me feliz! Mas diante da grandeza de um sentimento que fermentava, senti também medo. Medo de perdê-lo. Medo de vê-lo escoar. A água banhava meu corpo e escorria pelo ralo, lavava um pouco de mim. Tive medo de vê-lo água! Mas meus lábios sorriam. Queria senti-lo em toda a sua grandeza mesmo que fosse só por aquele instante. Minhas lágrimas eram doces. Caiam para esvaziar um coração que borbulhava de um sentimento que me fazia sentir inteira. Não sei até hoje o nome daquele sentimento que impregnou-se em mim naquela quinta feira.
Lembro-me também de outras transições. Senti que algo acontecia dentro de mim, mas não acontecia comigo. Lembro-me da noite de lua cheia. Chorei! Chorei por sentir ir embora o encanto. No entanto, o meu encanto permanecia. Senti que o outro espelho não mais refletia. As energias que de mim emanavam, não mais retornavam. Perdia-se dentro de um coração aquém. Mas o que fazer? Todas as paixões são efêmeras, e lá estava eu: vítima da brevidade do encanto. Não do meu, mas do outro que não me pertencia. Tive vergonha da minha covardia. Mas o que se há de fazer para deixar exposto um coração? Toda olho fala, atalho pra alma. Pedaço exposto do coração...
Lembro-me que em meio a tantas transformações, inexplicavelmente tudo se perdeu. Senti falta da minha paz. Fui procurá-la no mar, e senti-me novamente o próprio mar: profundo solitário...levei pra longe meus pensamentos, esqueci um pouco o ruído do silêncio. Encontrei nas águas calmas de Netuno o que por instantes distanciou-me de mim. Chorei. Tive as águas do mar transbordando nos olhos, devolvendo enfim o vão da minha serenidade. Não procurei respostas. Esperei o mar engolir a bola de fogo para ter então meu espírito novo. Alguém falou que “entre a dor e o nada, escolheria a dor” e naquele momento, dor e nada eram a minha verdade paradoxal.
Então...estava fuçando minha caixinha de coisas antigas, e encotrei o rascunho de uma carta, que achei bacana publicar aqui pq é carregada de sentimento...Na verdade, uma fotografia de um momento que experimentei.
...Lembro-me do dia da primeira transição. Estava no banho, e derrepente, meus olhos transbordaram. Sentia que a paixão estava morrendo para dar lugar a algo muito maior. Não sabia como chamá-lo, mas podia dizer que era rico em intensidade. Tentei compará-lo com alguma sensação outrora experimentada, aproximou-se um pouco do dia em que me apercebi do meu amor por meus pais. Meu Deus! Estaria eu amando?!. Mas o que me levaria a cultivar um sentimento tão sublime por alguém então pouco tempo? Sabia apenas que estava ali. Com o peito bombardeado de emoção. O corpo impregnado de sensações. E, além disso, uma paz irreconhecível. Não procurei saber a posição dos astros naquele momento, mas estava certa de que todos dançavam ao som da minha felicidade. Que bom! Por um instante senti-me feliz! Mas diante da grandeza de um sentimento que fermentava, senti também medo. Medo de perdê-lo. Medo de vê-lo escoar. A água banhava meu corpo e escorria pelo ralo, lavava um pouco de mim. Tive medo de vê-lo água! Mas meus lábios sorriam. Queria senti-lo em toda a sua grandeza mesmo que fosse só por aquele instante. Minhas lágrimas eram doces. Caiam para esvaziar um coração que borbulhava de um sentimento que me fazia sentir inteira. Não sei até hoje o nome daquele sentimento que impregnou-se em mim naquela quinta feira.
Lembro-me também de outras transições. Senti que algo acontecia dentro de mim, mas não acontecia comigo. Lembro-me da noite de lua cheia. Chorei! Chorei por sentir ir embora o encanto. No entanto, o meu encanto permanecia. Senti que o outro espelho não mais refletia. As energias que de mim emanavam, não mais retornavam. Perdia-se dentro de um coração aquém. Mas o que fazer? Todas as paixões são efêmeras, e lá estava eu: vítima da brevidade do encanto. Não do meu, mas do outro que não me pertencia. Tive vergonha da minha covardia. Mas o que se há de fazer para deixar exposto um coração? Toda olho fala, atalho pra alma. Pedaço exposto do coração...
Lembro-me que em meio a tantas transformações, inexplicavelmente tudo se perdeu. Senti falta da minha paz. Fui procurá-la no mar, e senti-me novamente o próprio mar: profundo solitário...levei pra longe meus pensamentos, esqueci um pouco o ruído do silêncio. Encontrei nas águas calmas de Netuno o que por instantes distanciou-me de mim. Chorei. Tive as águas do mar transbordando nos olhos, devolvendo enfim o vão da minha serenidade. Não procurei respostas. Esperei o mar engolir a bola de fogo para ter então meu espírito novo. Alguém falou que “entre a dor e o nada, escolheria a dor” e naquele momento, dor e nada eram a minha verdade paradoxal.
Estive relendo alguns versos. Drumonnd, Vinícius, o cochilo na página trinta e seis...Nenhum motivo é banal. Todo sentir é comunicável. Inexplicável apenas o silêncio! Mas que transição precisaria eu passar para aceitar palavras doces e olhares cúmplices serem trocados por um oi apressado no meio da multidão? Meus loucos sentimentos às vezes me levam a pensar que é na superfície que se deve ficar, mas estaria deixando de ser a ameixa que sou...
Respostas são quase sempre vãs. Mas ao ouvido incomoda o timbre do silêncio agudo. Quem poderá explicar? Mesmo sem querer a gente se apaixona. Mesmo sem porque o sonho desmorona. Mesmo sem sentir a gente se transforma.
segunda-feira, março 19, 2007
Ócio desgraçado....
Conversando com meu amigo Magnólia sobre o ócio que tem me tomado esses dias, lembrei de um "poema" que escrevi em 09 de janeiro de 1990 (eu tinha 8 anos), e percebi que desde aquela época o ócio é uma coisa que faz parte de mim.
Minha vida
Não tenho o que fazer,
Procuro!
O que faço?
Pensar.
Mas pensar o que?
Procuro lembrar de algumas coisas,
Mas, de que?
Ja sei, vou escrever
Escrever o que?
O que fazer?
Minha vida
Não tenho o que fazer,
Procuro!
O que faço?
Pensar.
Mas pensar o que?
Procuro lembrar de algumas coisas,
Mas, de que?
Ja sei, vou escrever
Escrever o que?
O que fazer?
segunda-feira, março 12, 2007
Castelos...
Há dias penso em escrever isso, para ver se, ao escrever, eu consigo justificar. O fato é: Quando criança eu não gostava de fazer castelos na areia, mas adorava cavar buracos, buscando a profundidade que pudesse me conter. Mas, que significado tem isso? Poderia me fazer valer de Fernando Pessoa e dizer que "o sentido oculto das coisas é as coisas não terem sentido oculto nenhum". Talvez o motivo fosse querer ser diferente dos outros. Qual é mesmo o coletivo de castelos? Pois é isso aí que se via na praia. Eu nunca via ninguém que gostava de cavar buracos. Talvez o motivo fosse que a água da maré que enchia, quando se aproximava, preenchia e não destruía. Sei lá! Talvez porque em buracos eu podia me esconder e em castelos mal podia me encaixar. E quando eu cavava o suficiente, de modo que pudesse adentrar, eu tratava de cavar outros. Até conexão subterrânea entre eles eu tentava fazer. Mas "o sentido oculto das coisas é as coisas não terem sentido oculto nenhum"!!
Continuo cavando buracos, mesmo sem ir à praia, e daí? Às vezes tenho medo de me perder em um deles e não conseguir mais sair...
quarta-feira, março 07, 2007
Cupido (Maria Rita)
To postando esta música pq tenho escutado constantemente. Me lembra alguma coisa, algum momento que eu não consigo identificar qual é...
Composição: Cláudio Lins
Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu
Quando você me viu...
Composição: Cláudio Lins
Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu
Quando você me viu...
domingo, março 04, 2007

"Ahh, eu nunca mais vou voltar pra Londres. Vou ficar aqui pra trabalhar com vc". Estas foram as palavras dela depois da nossa seção de dança embalada pela "música do palhaço", canção que sempre fez parte da nossa relação. Disse-me isso sorrindo. Acho que ela sentiu naquele momento que eu poderia salvá-la do triste fado de ter que voltar para aquela terra fria e distante. Ela gritava e ria sem parar durante o banho, pulava em espasmos de alegria. No dia anterior ela tinha me dito algo parecido, com ar de tristeza, enquanto todos dormiam e nós já haviamos despertado: "Amiga, eu vou viajar amanhã, mas eu não vou. Só quando todos forem". Tentei convencê-la que lá é legal, a escola, os amigos, a neve...apesar da imensa vontade de dizer que ela realmente não iria voltar, que iria crescer do meu lado, dançar comigo todos os dias, pular as ondas da praia, virar sereia, assistir TV... Imagino como ela se sentia naquele momento. Depois de experimenatar outra vez a alegria da companhia da familia, a felicidade do reencontro com os amigos. Tentava agarrar-se a qualquer um que pudesse compreender a sua imensa vontade de ficar. Quando eu estava saindo de casa ela chorou gritando por mim. "Amiga, amiga!!!" E eu corria apressada pra não chegar atrasada na entrevista de emprego. "Só queria te dar um abraço, bem apertado." Senti vontade de chorar, não sei se de remorso ou dó. Thays me contou que ela disse a Ju que havia gostado muito dela e aproveitou para pedir-lhe para morar na sua casa. Ela queria de qualquer forma alguém que pudesse socorre-la. Mas uma tentativa em vão. Ela é linda! E voltou mais carinhosa e doce, apesar dos momentos de agressividade, o que é natural. Não fui ao aeroporto, e nem pude experimentar os momentos finais. deve ter sido mais tristeza do que paz...Te amo Clarinha!! Fico feliz em saber que eu sou além de "amiga", a titia, a Cinthia...alguém que te ama demais!!
Saudades mil....
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Silêncio Infinito
Eu me liberto através das palavras,
Mas elas me prendem!
Hoje saí para pensar no infinito,
Mas as palavras me acorrentaram
E eu não pude escrever o que senti.
Quando a nuvem afiada
Cortou o sol em dois
Eu desejei arrancar a calota de fogo
E mergulhar bem fundo lá
Pra sentir o calor infernal da grande estrela
E depois me refrescar no mar
Quando a tarde caísse por inteiro.
Infinitas são as formas de falar sobre infinito
Posso chamá-lo de amor,
Posso chamá-lo de céu,
E até, quem sabe, de deus...
Infinito pode ser o meu pensamento
Infinito pode ser o que ainda não sei
Há nuvens douradas num céu quase azul
Barulho de águas
Ruídos de vida ao redor
Infinito é o meu sentimento
É essa estranheza de não saber o que sentir
Minhas palavras não dizem nada,
Ainda não alcançaram um traduzir
Eu sonho com o silêncio infinito
Mas das palavras não consigo fugir.
Mas elas me prendem!
Hoje saí para pensar no infinito,
Mas as palavras me acorrentaram
E eu não pude escrever o que senti.
Quando a nuvem afiada
Cortou o sol em dois
Eu desejei arrancar a calota de fogo
E mergulhar bem fundo lá
Pra sentir o calor infernal da grande estrela
E depois me refrescar no mar
Quando a tarde caísse por inteiro.
Infinitas são as formas de falar sobre infinito
Posso chamá-lo de amor,
Posso chamá-lo de céu,
E até, quem sabe, de deus...
Infinito pode ser o meu pensamento
Infinito pode ser o que ainda não sei
Há nuvens douradas num céu quase azul
Barulho de águas
Ruídos de vida ao redor
Infinito é o meu sentimento
É essa estranheza de não saber o que sentir
Minhas palavras não dizem nada,
Ainda não alcançaram um traduzir
Eu sonho com o silêncio infinito
Mas das palavras não consigo fugir.
domingo, fevereiro 25, 2007
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Ela trancou-se no quarto e deu-se a chorar. Pensei em abrir a porta para ver o que se passava, mas depois lembrei do quanto é importante chorar sem ninguém. Já chorei por vezes sozinha, não sei se por opção ou falta de alguém para compartilhar, mas o fato é que me acostumei a chorar só. Aliás, este é um momento só nosso, e é preciso realmente para isto estar só. Mas as paredes têm ouvidos e eu percebi que aquele era o seu momento de esvaziar. Fico feliz quando as pessoas choram. Não entendam isso por sadismo ou qualquer coisa assim. Mas é que chorar soa como admitir que está na hora de transbordar. Evita um câncer até. Sabe aquela história "meninos não choram" (nem uma alusão ao filme, que por sinal nem assisti), isso faz tão mal...
Algumas pessoas têm vergonha de chorar. Falo isso porque ja senti. Mas hoje estou certa de que cada lágrima é a leveza que eu preciso alcançar. Choro de dor sim, por que as vezes sinto doer. Choro de rir. Esta semana chorei com a história brutal do garoto que foi arrastado por 7 Km nas ruas do Rio de Janeiro até morrer. Choro de saudade e de culpa. Já me ouvi chorar em lá menor. Lembro dos períodos longos de choro. O meu gato vira lata que morreu. A partida para Porto Alegre. O fantasma que aflorou cores e as cobriu de cinza. Do conflito entre a engenharia e a psicologia. Do sumiço de xuxu. Engraçado que falar em choro sempre nos remnete à dor. Não sei exatamente se neste momento ela chora de dor. Ontem queimei meu dedo no vapor, tamanha era a dor, que pensei que não ia passar, mas passa, sempre costuma passar... E é por isso que em meu rosto uma lágrima sempre está acompanhada de um sorriso sutil, por que é reconhecido o ato de esvaziar. Acho que, trancada no quarto, ela ainda chora, enquanto eu aqui me derramo em palavras. Queria poder ajuda-la, mas talvez eu realmente deva deixá-la transbordar...
Algumas pessoas têm vergonha de chorar. Falo isso porque ja senti. Mas hoje estou certa de que cada lágrima é a leveza que eu preciso alcançar. Choro de dor sim, por que as vezes sinto doer. Choro de rir. Esta semana chorei com a história brutal do garoto que foi arrastado por 7 Km nas ruas do Rio de Janeiro até morrer. Choro de saudade e de culpa. Já me ouvi chorar em lá menor. Lembro dos períodos longos de choro. O meu gato vira lata que morreu. A partida para Porto Alegre. O fantasma que aflorou cores e as cobriu de cinza. Do conflito entre a engenharia e a psicologia. Do sumiço de xuxu. Engraçado que falar em choro sempre nos remnete à dor. Não sei exatamente se neste momento ela chora de dor. Ontem queimei meu dedo no vapor, tamanha era a dor, que pensei que não ia passar, mas passa, sempre costuma passar... E é por isso que em meu rosto uma lágrima sempre está acompanhada de um sorriso sutil, por que é reconhecido o ato de esvaziar. Acho que, trancada no quarto, ela ainda chora, enquanto eu aqui me derramo em palavras. Queria poder ajuda-la, mas talvez eu realmente deva deixá-la transbordar...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Carlos Drumond de Andrade
A hora do descanso
As coisas que amamos,
As pessoas que amamos
São eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
Dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam absoluta,
Numa outra maior realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
Por um outro itinerário,
De aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
Rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre na boca
Na mente,
Sei lá, talvez no ar. ..
As coisas que amamos,
As pessoas que amamos
São eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
Dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam absoluta,
Numa outra maior realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
Por um outro itinerário,
De aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
Rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre na boca
Na mente,
Sei lá, talvez no ar. ..
quinta-feira, janeiro 04, 2007
quinta-feira, dezembro 14, 2006
No canto da sala transpirava o excesso de alegria
No canto da sala dançava e não sabia
Não sabia sorrir, de tão fria...
Seu desejo de cantar, aos poucos se esvaía
E de tão alegre que estava, transbordou-se de vazia
Quem olhava pra ela, mesmo atento, não via
Que um quê de tristeza, no canto da sala se escondia
O canto da sala, com seu canto secreto se confudia
Não era só alegria,
Mas ela podia, ela não queria...
No canto da sala dançava e não sabia
Não sabia sorrir, de tão fria...
Seu desejo de cantar, aos poucos se esvaía
E de tão alegre que estava, transbordou-se de vazia
Quem olhava pra ela, mesmo atento, não via
Que um quê de tristeza, no canto da sala se escondia
O canto da sala, com seu canto secreto se confudia
Não era só alegria,
Mas ela podia, ela não queria...
terça-feira, dezembro 05, 2006
Pena, pluma, ou algo mais leve, talvez
Pra eu me livrar da resistencia do vento de vez
E viver passeando no céu
Nas nuvens, onde andam meus penamentos
E por onde andam meus pensamentos?
Estou viva e nem sei quem estou
Já desejei ser água,
Mas hoje eu quero voar
Sentir a emoção da folha ao despencar da árvore
E o tempo infinito até alcançar o chão
As minhas folhas amarelaram,
Caíram leve, e eu sequei!
Não quero criar raízes,
Estou me concentrando em ser ar
Estou tão só, mas há prazer em estar comigo
E tentar descobrir como eliminar a minha densidade,
Evaporar de vez todos os traços de mim
E me libertar pra sempre da necessidade de pisar no chão.
Preciso aprender a voar!
Pra eu me livrar da resistencia do vento de vez
E viver passeando no céu
Nas nuvens, onde andam meus penamentos
E por onde andam meus pensamentos?
Estou viva e nem sei quem estou
Já desejei ser água,
Mas hoje eu quero voar
Sentir a emoção da folha ao despencar da árvore
E o tempo infinito até alcançar o chão
As minhas folhas amarelaram,
Caíram leve, e eu sequei!
Não quero criar raízes,
Estou me concentrando em ser ar
Estou tão só, mas há prazer em estar comigo
E tentar descobrir como eliminar a minha densidade,
Evaporar de vez todos os traços de mim
E me libertar pra sempre da necessidade de pisar no chão.
Preciso aprender a voar!
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