quarta-feira, maio 02, 2007
Dia de chuva no paraíso!
hummm... dia agradabilíssimo!! Lugar bonito! Energia boa! Companhia agradável! Barulho de água caindo do alto! Gotas de chuva! Cheiro de aventura! Frutinhas pra matar a fome! E chuva, muita chuvaaaaa...
sexta-feira, abril 27, 2007
Quero escrever! Há dias estou inquieta tentando escrever e não sei como fazê-lo. Não quero combinar palavras para me expor, tampouco para me esconder. Mas não sei, não sei o que precisa ser dito. Talvez precise escrever aqui um grito, para que as palavras que ficaram presas possam, enfim, escapar. E eu que pensei que fosse me libertar, acabei criando mais confusão e as reticencias insistem em ficar...
terça-feira, abril 24, 2007
A palavra e o silêncio [Não é de minha autoria!]
O silêncio não é a negação da palavra, como a palvra não é tampouco a negação do silêncio. Há silêncios eloquentes como palavras vãs. É precisamente a continuação entre um estado e outro que forma a trama completa de nossa vida e espírito. É na riqueza do nosso silêncio interior que se forma a qualidade de nossas manifestações verbais. Como é na riqueza de sua repercussão, no silêncio posterior, que reside o sentido mais profundo do nosso privilégio verbal. O homem é a única criatura que fala e que também sabe dar ao silêncio o seu sentido profundo. O silêncio dos seres humanos, das pedras, das florestas, dos animais, só têm sentido para nós, seres verbais, que damos um significado positivo, poético, filosófico e religioso a este silêncio das coisas e dos seres infra-humanos. O rumor de nossas palavras só tem sentido por que nelas se reflete o mundo infinito que está para lá de sua sonoridade: o mundo dos sentimentos, das idéias e das grandes realidades.
*******
Tristão de Ataíde
Ebaaa!!! Estou feliz com o retorno do meu computador! Dar um trato aqui no no blog numa LAN House é meio chato, num tem clima. Tenho algumas coisas acumuladas pra colocar aqui...mas agora vou postar uma música de Lenine que eu adoro, e que fui dormir ontem pensando nela.
O Último Pôr-do-sol - Lenine
A onda ainda quebra na praia,
espumas se misturam com o vento.
No dia em ocê foi embora,
eu fiquei sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi pensando nós dois
Eu lembro a concha em seu ouvido,
trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em ocê foi embora,
eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
por entre as ruínas de Santa Cruz lembrando nós dois
Os edifícios abandonados,
as estradas sem ninguém, óleo queimado,
as vigas na areia,
a lua nascendo por entre os fios do teus cabelos,
por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas
Pois no dia em que ocê foi embora,
eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
o ultimo homem no dia em que o sol morreu
O Último Pôr-do-sol - Lenine
A onda ainda quebra na praia,
espumas se misturam com o vento.
No dia em ocê foi embora,
eu fiquei sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi pensando nós dois
Eu lembro a concha em seu ouvido,
trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em ocê foi embora,
eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
por entre as ruínas de Santa Cruz lembrando nós dois
Os edifícios abandonados,
as estradas sem ninguém, óleo queimado,
as vigas na areia,
a lua nascendo por entre os fios do teus cabelos,
por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas
Pois no dia em que ocê foi embora,
eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
o ultimo homem no dia em que o sol morreu
segunda-feira, abril 23, 2007
Mas céu sem estrelas é bonito também. Eu gosto de nuvens no céu. Gosto de céu cinza, de dias nublados. Exceto quando quero ir à praia. Há dias em que ele parece estar mais baixo. Dá a impressão que basta estiar o braço para poder tocá-lo. Lembrei agora de um céu que eu adoro: aquele colorido do entardecer. Que eu nunca vi, em um dia sequer, ser igual a outro que já existiu. Gosto de nuvens carregadas de chuva. Outro dia vi na TV que existem caçadores de nuvens no deserto. Que roubam delas a água que se tornaria chuva em um outro lugar. Coitadas das nuvens; devem sentir-se como transportadores de cargas assaltados na estrada. Eu já quis capturar nuvens, todas as vezes que passeei pelo céu. Tenho um par de sapatos coloridos que parecem nuvens, mas têm cor de céu: é um azul assim...Feliz! Eu os coloco nos pés todas as vezes que é incontível a vontade de voar. É como entrar na roda gigante. É como gosto de pitanga madura. Tentei plantar pitangas no céu. Mas as sementes não tinham um par de sapatos azuis...E eu não pude emprestar o meu.
Almoço de domingo
Eu pedi para não jogarem fora a cabeça do peixe. Queria comê-la para colocar em mim memórias sonoras do mar. Mas a sua expressão pálida, apesar do dourado da fritura me fez hesitar. Seus olhos inertes alguma coisa me queriam dizer e eu não soube escutar. Devorei-o! Devorei o seu cérebro frito! Não, não havia cérebro, o que devorei foi sua cabeça oca, pois tudo que eu menos queria era digerir algum fragmento racional de um ser. Eu não preciso pensar, mas o que sinto muitas vezes me trai! É como a isca que ao peixe desatento atrai... Hoje comi sua cabeça servida frita numa bandeja fria, provocando em mim a sensação marinha de flutuar. Eu vi o mar no seu olhar estático e frio. Eu vi no seu olhar vazio o silencio [saudade] do mar.
sexta-feira, abril 20, 2007
Cantos Dos Emigrantes - Cordel do fogo encantado
Com seus pássaros
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram
De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
e uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram
De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
e uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram
sexta-feira, abril 13, 2007
Consumismo Infantil
- Alô, Clarinha? Você ainda tá brincando? Pode falar agora?
- Eu não estou brincando...
- Ah, titia te ligou ontem, no dia do seu é big. Queria te desejar feliz aniversário e não consegui falar.
- Não tem problema, você pode comprar um presente bem bonito e mandar pra mim.
Linda!!!
- Eu não estou brincando...
- Ah, titia te ligou ontem, no dia do seu é big. Queria te desejar feliz aniversário e não consegui falar.
- Não tem problema, você pode comprar um presente bem bonito e mandar pra mim.
Linda!!!
quarta-feira, abril 11, 2007
Estou feliz porque consegui lembrar deste poema em casa. Ele nasceu no ônibus, quando eu estava desarmada, sem caneta, sem papel e sem coragem pra perguntar quem tinha. Da pituba, fui pra federação, fiz a aula de tecido e voltei, sem perdê-la da cabeça. Só não sei o título, mas isso não é questão de esquecimento...
Amaram-se
Sem tomar um gole de vinho,
Sem uma gota de sangue na boca,
Sem um colorido de paixão se quer.
Amaram-se
Mal podeiam se encaixar no leito de amor
Mal sabiam se olhar
E tocavam-se sem pudor.
Amaram-se sem palavras,
Rimas,
Canções.
Por um instante efêmero odiaram-se
E não ficou na lembrança o tempo do não amar
Amaram-se de um modo tal
Que nenhum deles se reconheceu
Num abraço insolito despediram-se do amar sem rédeas
E o mundo todo amanheceu.
terça-feira, abril 10, 2007
Parabéns Amiga!!!!!
Hoje é aniversário de Clarinha. Aqu vai um post em homenagem a ela. Já que está na moda postar coisas antigas, vou publicar aqui algo que escrevi em 21 de fevereiro de 2003, às 11:10.

Estava com Clara dormindo em meus braços, olhando pro seu rosto tão sincero e doce. Pensando no seu medo de dormir sozinha, admirada com seu sono tranquilo em meus braços.
Sinto falta da inocência da infância
Do sono leve das manhãs de segunda feira
Da tranquilidade estampada na face
De traços leves, sem marcas do tempo.
Sinto falta da fase incessante das descobertas
Primeiros passos tímidos,
Primeiras sílabas tortas
Primeiro presente de natal.
Falta dos dias isentos de preocupação
Do tempo em que desconhecer a existência de futuro
Tornava possível viver um dia de cada vez.
Falta do carinho sincero
Do afago singelo...
Mas não me arrependo de ter crescido
Trago comigo a criança que sempre fui
Pelas experiências, pude construir o meu pensar
Tanto quanto quando criança,
Aprendi a fazer as minhas escolhas
Mas hoje pondero algumas coisas mais
E é disso que sinto falta
Falta de desconhecer consequencias
Da liberdade de agir sem pensar em reações
Falta de er meus desejos satisfeitos Sem precisar tanto me esforçar.
Não sei se ainda sorrio enquanto durmo
Até já esqueci do que via em meus sonhos
Que mundo era aquele que me impregnava a memória..
Sinto falta da insegurança que tinha em ficar sozinha
Hoje não me sinto sozinha quando estou só
Já esqueci da sensação de me aperceber do meu corpo
Juntar os dedos,
Tocar as mãos...
Equilibrava sonhos sobre passos inseguros
Hoje, com passos tão firmes, já não é tão fácil sonhar
O sono é pesado das preocupações do dia A gente já dorme pensando em acordar
Queria de volta aquela liberdade de fazer qualquer coisa pra chamar atenção
As paredes da casa coloridas com traços espontâneos
Brinquedos espalhados pelo chão
Tomara que estas lembranças jamais adormeçam
Que as sensações leves pra sempre permaneçam
Apesar do corpo crescido
Da relidade clara,
Da felicidade cara...

Estava com Clara dormindo em meus braços, olhando pro seu rosto tão sincero e doce. Pensando no seu medo de dormir sozinha, admirada com seu sono tranquilo em meus braços.
Sinto falta da inocência da infância
Do sono leve das manhãs de segunda feira
Da tranquilidade estampada na face
De traços leves, sem marcas do tempo.
Sinto falta da fase incessante das descobertas
Primeiros passos tímidos,
Primeiras sílabas tortas
Primeiro presente de natal.
Falta dos dias isentos de preocupação
Do tempo em que desconhecer a existência de futuro
Tornava possível viver um dia de cada vez.
Falta do carinho sincero
Do afago singelo...
Mas não me arrependo de ter crescido
Trago comigo a criança que sempre fui
Pelas experiências, pude construir o meu pensar
Tanto quanto quando criança,
Aprendi a fazer as minhas escolhas
Mas hoje pondero algumas coisas mais
E é disso que sinto falta
Falta de desconhecer consequencias
Da liberdade de agir sem pensar em reações
Falta de er meus desejos satisfeitos Sem precisar tanto me esforçar.
Não sei se ainda sorrio enquanto durmo
Até já esqueci do que via em meus sonhos
Que mundo era aquele que me impregnava a memória..
Sinto falta da insegurança que tinha em ficar sozinha
Hoje não me sinto sozinha quando estou só
Já esqueci da sensação de me aperceber do meu corpo
Juntar os dedos,
Tocar as mãos...
Equilibrava sonhos sobre passos inseguros
Hoje, com passos tão firmes, já não é tão fácil sonhar
O sono é pesado das preocupações do dia A gente já dorme pensando em acordar
Queria de volta aquela liberdade de fazer qualquer coisa pra chamar atenção
As paredes da casa coloridas com traços espontâneos
Brinquedos espalhados pelo chão
Tomara que estas lembranças jamais adormeçam
Que as sensações leves pra sempre permaneçam
Apesar do corpo crescido
Da relidade clara,
Da felicidade cara...
terça-feira, abril 03, 2007
Nestes dias de pouca inspiração, está valendo publicações retroativas de alguns textos. Não poderia deixar de registrar a minha carteira de motorista, que finalmente saiu (uhuhu). E também a cena interessante que vi hoje de um crente vendendo CD pirata na praça e cantando as músicas na maior empolgação.
Então...estava fuçando minha caixinha de coisas antigas, e encotrei o rascunho de uma carta, que achei bacana publicar aqui pq é carregada de sentimento...Na verdade, uma fotografia de um momento que experimentei.
...Lembro-me do dia da primeira transição. Estava no banho, e derrepente, meus olhos transbordaram. Sentia que a paixão estava morrendo para dar lugar a algo muito maior. Não sabia como chamá-lo, mas podia dizer que era rico em intensidade. Tentei compará-lo com alguma sensação outrora experimentada, aproximou-se um pouco do dia em que me apercebi do meu amor por meus pais. Meu Deus! Estaria eu amando?!. Mas o que me levaria a cultivar um sentimento tão sublime por alguém então pouco tempo? Sabia apenas que estava ali. Com o peito bombardeado de emoção. O corpo impregnado de sensações. E, além disso, uma paz irreconhecível. Não procurei saber a posição dos astros naquele momento, mas estava certa de que todos dançavam ao som da minha felicidade. Que bom! Por um instante senti-me feliz! Mas diante da grandeza de um sentimento que fermentava, senti também medo. Medo de perdê-lo. Medo de vê-lo escoar. A água banhava meu corpo e escorria pelo ralo, lavava um pouco de mim. Tive medo de vê-lo água! Mas meus lábios sorriam. Queria senti-lo em toda a sua grandeza mesmo que fosse só por aquele instante. Minhas lágrimas eram doces. Caiam para esvaziar um coração que borbulhava de um sentimento que me fazia sentir inteira. Não sei até hoje o nome daquele sentimento que impregnou-se em mim naquela quinta feira.
Lembro-me também de outras transições. Senti que algo acontecia dentro de mim, mas não acontecia comigo. Lembro-me da noite de lua cheia. Chorei! Chorei por sentir ir embora o encanto. No entanto, o meu encanto permanecia. Senti que o outro espelho não mais refletia. As energias que de mim emanavam, não mais retornavam. Perdia-se dentro de um coração aquém. Mas o que fazer? Todas as paixões são efêmeras, e lá estava eu: vítima da brevidade do encanto. Não do meu, mas do outro que não me pertencia. Tive vergonha da minha covardia. Mas o que se há de fazer para deixar exposto um coração? Toda olho fala, atalho pra alma. Pedaço exposto do coração...
Lembro-me que em meio a tantas transformações, inexplicavelmente tudo se perdeu. Senti falta da minha paz. Fui procurá-la no mar, e senti-me novamente o próprio mar: profundo solitário...levei pra longe meus pensamentos, esqueci um pouco o ruído do silêncio. Encontrei nas águas calmas de Netuno o que por instantes distanciou-me de mim. Chorei. Tive as águas do mar transbordando nos olhos, devolvendo enfim o vão da minha serenidade. Não procurei respostas. Esperei o mar engolir a bola de fogo para ter então meu espírito novo. Alguém falou que “entre a dor e o nada, escolheria a dor” e naquele momento, dor e nada eram a minha verdade paradoxal.
Então...estava fuçando minha caixinha de coisas antigas, e encotrei o rascunho de uma carta, que achei bacana publicar aqui pq é carregada de sentimento...Na verdade, uma fotografia de um momento que experimentei.
...Lembro-me do dia da primeira transição. Estava no banho, e derrepente, meus olhos transbordaram. Sentia que a paixão estava morrendo para dar lugar a algo muito maior. Não sabia como chamá-lo, mas podia dizer que era rico em intensidade. Tentei compará-lo com alguma sensação outrora experimentada, aproximou-se um pouco do dia em que me apercebi do meu amor por meus pais. Meu Deus! Estaria eu amando?!. Mas o que me levaria a cultivar um sentimento tão sublime por alguém então pouco tempo? Sabia apenas que estava ali. Com o peito bombardeado de emoção. O corpo impregnado de sensações. E, além disso, uma paz irreconhecível. Não procurei saber a posição dos astros naquele momento, mas estava certa de que todos dançavam ao som da minha felicidade. Que bom! Por um instante senti-me feliz! Mas diante da grandeza de um sentimento que fermentava, senti também medo. Medo de perdê-lo. Medo de vê-lo escoar. A água banhava meu corpo e escorria pelo ralo, lavava um pouco de mim. Tive medo de vê-lo água! Mas meus lábios sorriam. Queria senti-lo em toda a sua grandeza mesmo que fosse só por aquele instante. Minhas lágrimas eram doces. Caiam para esvaziar um coração que borbulhava de um sentimento que me fazia sentir inteira. Não sei até hoje o nome daquele sentimento que impregnou-se em mim naquela quinta feira.
Lembro-me também de outras transições. Senti que algo acontecia dentro de mim, mas não acontecia comigo. Lembro-me da noite de lua cheia. Chorei! Chorei por sentir ir embora o encanto. No entanto, o meu encanto permanecia. Senti que o outro espelho não mais refletia. As energias que de mim emanavam, não mais retornavam. Perdia-se dentro de um coração aquém. Mas o que fazer? Todas as paixões são efêmeras, e lá estava eu: vítima da brevidade do encanto. Não do meu, mas do outro que não me pertencia. Tive vergonha da minha covardia. Mas o que se há de fazer para deixar exposto um coração? Toda olho fala, atalho pra alma. Pedaço exposto do coração...
Lembro-me que em meio a tantas transformações, inexplicavelmente tudo se perdeu. Senti falta da minha paz. Fui procurá-la no mar, e senti-me novamente o próprio mar: profundo solitário...levei pra longe meus pensamentos, esqueci um pouco o ruído do silêncio. Encontrei nas águas calmas de Netuno o que por instantes distanciou-me de mim. Chorei. Tive as águas do mar transbordando nos olhos, devolvendo enfim o vão da minha serenidade. Não procurei respostas. Esperei o mar engolir a bola de fogo para ter então meu espírito novo. Alguém falou que “entre a dor e o nada, escolheria a dor” e naquele momento, dor e nada eram a minha verdade paradoxal.
Estive relendo alguns versos. Drumonnd, Vinícius, o cochilo na página trinta e seis...Nenhum motivo é banal. Todo sentir é comunicável. Inexplicável apenas o silêncio! Mas que transição precisaria eu passar para aceitar palavras doces e olhares cúmplices serem trocados por um oi apressado no meio da multidão? Meus loucos sentimentos às vezes me levam a pensar que é na superfície que se deve ficar, mas estaria deixando de ser a ameixa que sou...
Respostas são quase sempre vãs. Mas ao ouvido incomoda o timbre do silêncio agudo. Quem poderá explicar? Mesmo sem querer a gente se apaixona. Mesmo sem porque o sonho desmorona. Mesmo sem sentir a gente se transforma.
segunda-feira, março 19, 2007
Ócio desgraçado....
Conversando com meu amigo Magnólia sobre o ócio que tem me tomado esses dias, lembrei de um "poema" que escrevi em 09 de janeiro de 1990 (eu tinha 8 anos), e percebi que desde aquela época o ócio é uma coisa que faz parte de mim.
Minha vida
Não tenho o que fazer,
Procuro!
O que faço?
Pensar.
Mas pensar o que?
Procuro lembrar de algumas coisas,
Mas, de que?
Ja sei, vou escrever
Escrever o que?
O que fazer?
Minha vida
Não tenho o que fazer,
Procuro!
O que faço?
Pensar.
Mas pensar o que?
Procuro lembrar de algumas coisas,
Mas, de que?
Ja sei, vou escrever
Escrever o que?
O que fazer?
segunda-feira, março 12, 2007
Castelos...
Há dias penso em escrever isso, para ver se, ao escrever, eu consigo justificar. O fato é: Quando criança eu não gostava de fazer castelos na areia, mas adorava cavar buracos, buscando a profundidade que pudesse me conter. Mas, que significado tem isso? Poderia me fazer valer de Fernando Pessoa e dizer que "o sentido oculto das coisas é as coisas não terem sentido oculto nenhum". Talvez o motivo fosse querer ser diferente dos outros. Qual é mesmo o coletivo de castelos? Pois é isso aí que se via na praia. Eu nunca via ninguém que gostava de cavar buracos. Talvez o motivo fosse que a água da maré que enchia, quando se aproximava, preenchia e não destruía. Sei lá! Talvez porque em buracos eu podia me esconder e em castelos mal podia me encaixar. E quando eu cavava o suficiente, de modo que pudesse adentrar, eu tratava de cavar outros. Até conexão subterrânea entre eles eu tentava fazer. Mas "o sentido oculto das coisas é as coisas não terem sentido oculto nenhum"!!
Continuo cavando buracos, mesmo sem ir à praia, e daí? Às vezes tenho medo de me perder em um deles e não conseguir mais sair...
quarta-feira, março 07, 2007
Cupido (Maria Rita)
To postando esta música pq tenho escutado constantemente. Me lembra alguma coisa, algum momento que eu não consigo identificar qual é...
Composição: Cláudio Lins
Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu
Quando você me viu...
Composição: Cláudio Lins
Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu
Quando você me viu...
domingo, março 04, 2007

"Ahh, eu nunca mais vou voltar pra Londres. Vou ficar aqui pra trabalhar com vc". Estas foram as palavras dela depois da nossa seção de dança embalada pela "música do palhaço", canção que sempre fez parte da nossa relação. Disse-me isso sorrindo. Acho que ela sentiu naquele momento que eu poderia salvá-la do triste fado de ter que voltar para aquela terra fria e distante. Ela gritava e ria sem parar durante o banho, pulava em espasmos de alegria. No dia anterior ela tinha me dito algo parecido, com ar de tristeza, enquanto todos dormiam e nós já haviamos despertado: "Amiga, eu vou viajar amanhã, mas eu não vou. Só quando todos forem". Tentei convencê-la que lá é legal, a escola, os amigos, a neve...apesar da imensa vontade de dizer que ela realmente não iria voltar, que iria crescer do meu lado, dançar comigo todos os dias, pular as ondas da praia, virar sereia, assistir TV... Imagino como ela se sentia naquele momento. Depois de experimenatar outra vez a alegria da companhia da familia, a felicidade do reencontro com os amigos. Tentava agarrar-se a qualquer um que pudesse compreender a sua imensa vontade de ficar. Quando eu estava saindo de casa ela chorou gritando por mim. "Amiga, amiga!!!" E eu corria apressada pra não chegar atrasada na entrevista de emprego. "Só queria te dar um abraço, bem apertado." Senti vontade de chorar, não sei se de remorso ou dó. Thays me contou que ela disse a Ju que havia gostado muito dela e aproveitou para pedir-lhe para morar na sua casa. Ela queria de qualquer forma alguém que pudesse socorre-la. Mas uma tentativa em vão. Ela é linda! E voltou mais carinhosa e doce, apesar dos momentos de agressividade, o que é natural. Não fui ao aeroporto, e nem pude experimentar os momentos finais. deve ter sido mais tristeza do que paz...Te amo Clarinha!! Fico feliz em saber que eu sou além de "amiga", a titia, a Cinthia...alguém que te ama demais!!
Saudades mil....
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Silêncio Infinito
Eu me liberto através das palavras,
Mas elas me prendem!
Hoje saí para pensar no infinito,
Mas as palavras me acorrentaram
E eu não pude escrever o que senti.
Quando a nuvem afiada
Cortou o sol em dois
Eu desejei arrancar a calota de fogo
E mergulhar bem fundo lá
Pra sentir o calor infernal da grande estrela
E depois me refrescar no mar
Quando a tarde caísse por inteiro.
Infinitas são as formas de falar sobre infinito
Posso chamá-lo de amor,
Posso chamá-lo de céu,
E até, quem sabe, de deus...
Infinito pode ser o meu pensamento
Infinito pode ser o que ainda não sei
Há nuvens douradas num céu quase azul
Barulho de águas
Ruídos de vida ao redor
Infinito é o meu sentimento
É essa estranheza de não saber o que sentir
Minhas palavras não dizem nada,
Ainda não alcançaram um traduzir
Eu sonho com o silêncio infinito
Mas das palavras não consigo fugir.
Mas elas me prendem!
Hoje saí para pensar no infinito,
Mas as palavras me acorrentaram
E eu não pude escrever o que senti.
Quando a nuvem afiada
Cortou o sol em dois
Eu desejei arrancar a calota de fogo
E mergulhar bem fundo lá
Pra sentir o calor infernal da grande estrela
E depois me refrescar no mar
Quando a tarde caísse por inteiro.
Infinitas são as formas de falar sobre infinito
Posso chamá-lo de amor,
Posso chamá-lo de céu,
E até, quem sabe, de deus...
Infinito pode ser o meu pensamento
Infinito pode ser o que ainda não sei
Há nuvens douradas num céu quase azul
Barulho de águas
Ruídos de vida ao redor
Infinito é o meu sentimento
É essa estranheza de não saber o que sentir
Minhas palavras não dizem nada,
Ainda não alcançaram um traduzir
Eu sonho com o silêncio infinito
Mas das palavras não consigo fugir.
domingo, fevereiro 25, 2007
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Ela trancou-se no quarto e deu-se a chorar. Pensei em abrir a porta para ver o que se passava, mas depois lembrei do quanto é importante chorar sem ninguém. Já chorei por vezes sozinha, não sei se por opção ou falta de alguém para compartilhar, mas o fato é que me acostumei a chorar só. Aliás, este é um momento só nosso, e é preciso realmente para isto estar só. Mas as paredes têm ouvidos e eu percebi que aquele era o seu momento de esvaziar. Fico feliz quando as pessoas choram. Não entendam isso por sadismo ou qualquer coisa assim. Mas é que chorar soa como admitir que está na hora de transbordar. Evita um câncer até. Sabe aquela história "meninos não choram" (nem uma alusão ao filme, que por sinal nem assisti), isso faz tão mal...
Algumas pessoas têm vergonha de chorar. Falo isso porque ja senti. Mas hoje estou certa de que cada lágrima é a leveza que eu preciso alcançar. Choro de dor sim, por que as vezes sinto doer. Choro de rir. Esta semana chorei com a história brutal do garoto que foi arrastado por 7 Km nas ruas do Rio de Janeiro até morrer. Choro de saudade e de culpa. Já me ouvi chorar em lá menor. Lembro dos períodos longos de choro. O meu gato vira lata que morreu. A partida para Porto Alegre. O fantasma que aflorou cores e as cobriu de cinza. Do conflito entre a engenharia e a psicologia. Do sumiço de xuxu. Engraçado que falar em choro sempre nos remnete à dor. Não sei exatamente se neste momento ela chora de dor. Ontem queimei meu dedo no vapor, tamanha era a dor, que pensei que não ia passar, mas passa, sempre costuma passar... E é por isso que em meu rosto uma lágrima sempre está acompanhada de um sorriso sutil, por que é reconhecido o ato de esvaziar. Acho que, trancada no quarto, ela ainda chora, enquanto eu aqui me derramo em palavras. Queria poder ajuda-la, mas talvez eu realmente deva deixá-la transbordar...
Algumas pessoas têm vergonha de chorar. Falo isso porque ja senti. Mas hoje estou certa de que cada lágrima é a leveza que eu preciso alcançar. Choro de dor sim, por que as vezes sinto doer. Choro de rir. Esta semana chorei com a história brutal do garoto que foi arrastado por 7 Km nas ruas do Rio de Janeiro até morrer. Choro de saudade e de culpa. Já me ouvi chorar em lá menor. Lembro dos períodos longos de choro. O meu gato vira lata que morreu. A partida para Porto Alegre. O fantasma que aflorou cores e as cobriu de cinza. Do conflito entre a engenharia e a psicologia. Do sumiço de xuxu. Engraçado que falar em choro sempre nos remnete à dor. Não sei exatamente se neste momento ela chora de dor. Ontem queimei meu dedo no vapor, tamanha era a dor, que pensei que não ia passar, mas passa, sempre costuma passar... E é por isso que em meu rosto uma lágrima sempre está acompanhada de um sorriso sutil, por que é reconhecido o ato de esvaziar. Acho que, trancada no quarto, ela ainda chora, enquanto eu aqui me derramo em palavras. Queria poder ajuda-la, mas talvez eu realmente deva deixá-la transbordar...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Carlos Drumond de Andrade
A hora do descanso
As coisas que amamos,
As pessoas que amamos
São eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
Dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam absoluta,
Numa outra maior realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
Por um outro itinerário,
De aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
Rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre na boca
Na mente,
Sei lá, talvez no ar. ..
As coisas que amamos,
As pessoas que amamos
São eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
Dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam absoluta,
Numa outra maior realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
Por um outro itinerário,
De aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
Rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre na boca
Na mente,
Sei lá, talvez no ar. ..
quinta-feira, janeiro 04, 2007
quinta-feira, dezembro 14, 2006
No canto da sala transpirava o excesso de alegria
No canto da sala dançava e não sabia
Não sabia sorrir, de tão fria...
Seu desejo de cantar, aos poucos se esvaía
E de tão alegre que estava, transbordou-se de vazia
Quem olhava pra ela, mesmo atento, não via
Que um quê de tristeza, no canto da sala se escondia
O canto da sala, com seu canto secreto se confudia
Não era só alegria,
Mas ela podia, ela não queria...
No canto da sala dançava e não sabia
Não sabia sorrir, de tão fria...
Seu desejo de cantar, aos poucos se esvaía
E de tão alegre que estava, transbordou-se de vazia
Quem olhava pra ela, mesmo atento, não via
Que um quê de tristeza, no canto da sala se escondia
O canto da sala, com seu canto secreto se confudia
Não era só alegria,
Mas ela podia, ela não queria...
terça-feira, dezembro 05, 2006
Pena, pluma, ou algo mais leve, talvez
Pra eu me livrar da resistencia do vento de vez
E viver passeando no céu
Nas nuvens, onde andam meus penamentos
E por onde andam meus pensamentos?
Estou viva e nem sei quem estou
Já desejei ser água,
Mas hoje eu quero voar
Sentir a emoção da folha ao despencar da árvore
E o tempo infinito até alcançar o chão
As minhas folhas amarelaram,
Caíram leve, e eu sequei!
Não quero criar raízes,
Estou me concentrando em ser ar
Estou tão só, mas há prazer em estar comigo
E tentar descobrir como eliminar a minha densidade,
Evaporar de vez todos os traços de mim
E me libertar pra sempre da necessidade de pisar no chão.
Preciso aprender a voar!
Pra eu me livrar da resistencia do vento de vez
E viver passeando no céu
Nas nuvens, onde andam meus penamentos
E por onde andam meus pensamentos?
Estou viva e nem sei quem estou
Já desejei ser água,
Mas hoje eu quero voar
Sentir a emoção da folha ao despencar da árvore
E o tempo infinito até alcançar o chão
As minhas folhas amarelaram,
Caíram leve, e eu sequei!
Não quero criar raízes,
Estou me concentrando em ser ar
Estou tão só, mas há prazer em estar comigo
E tentar descobrir como eliminar a minha densidade,
Evaporar de vez todos os traços de mim
E me libertar pra sempre da necessidade de pisar no chão.
Preciso aprender a voar!
terça-feira, novembro 28, 2006
Já ia esquecer de comentar uma questão que tem me intrigado. Vi nos jornais estes dias que o numero de furtos e sequestros relâmpagos aumentou no Rio de Janeiro, e que isto tem uma ligação com o tráfico de drogas. Como as vendas da cocaína caíram, em função das novas drogas disponíveis no mercado (Extase, por exemplo), os marginais do tráfico estão migrando para outras atividades. Meu Deus, será que para reduzir estes crimes os cariocas terão que desejar o aumento do consumo da cacaína? Eu hein...
Ah, ontem vi uma coruja em cima do muro daqui de casa (existe uma superstição não muito boa a respeito de corujas). Depois apareceu um gato preto e hoje de manhã acordei com três passarinhos que vieram comer a banana que coloquei lá pra coruja. A natureza sempre dá um jeito de amenizar meu stress...
Ah, ontem vi uma coruja em cima do muro daqui de casa (existe uma superstição não muito boa a respeito de corujas). Depois apareceu um gato preto e hoje de manhã acordei com três passarinhos que vieram comer a banana que coloquei lá pra coruja. A natureza sempre dá um jeito de amenizar meu stress...
Lenine-Gênio!!!
"Precário,provisório,perecível
Falível,transitório,transitivo
Efêmero,fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo
Impuro,imperfeito,impermanente
Incerto,incompleto,inconstante
Instável,variável,defectivo
Eis aqui um vivo
E apesar
Do tráfico,do tráfego equívoco
Do tóxico do trânsito nocivo
Da droga do indigesto digestivo
Do câncer vir do cerne do ser vivo
Da mente, o mal do ente coletivo
Do sangue, o mal do soropositivo
E apesar dessas e outras
O vivo afirma, firme e afirmativo
"O que mais vale a pena é estar vivo"
Não feito, não perfeito, não completo
Não satisfeito nunca, não contente
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo
Eis-me aqui"
Lenine-Vivo
Falível,transitório,transitivo
Efêmero,fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo
Impuro,imperfeito,impermanente
Incerto,incompleto,inconstante
Instável,variável,defectivo
Eis aqui um vivo
E apesar
Do tráfico,do tráfego equívoco
Do tóxico do trânsito nocivo
Da droga do indigesto digestivo
Do câncer vir do cerne do ser vivo
Da mente, o mal do ente coletivo
Do sangue, o mal do soropositivo
E apesar dessas e outras
O vivo afirma, firme e afirmativo
"O que mais vale a pena é estar vivo"
Não feito, não perfeito, não completo
Não satisfeito nunca, não contente
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo
Eis-me aqui"
Lenine-Vivo
sábado, novembro 25, 2006
À beira do abismo
(Em homenagem a Dé)
Estou a três passos de virar amor.
Disseram-me que precisaria aprender francês,
O que me parece inútil...
Comprei uma saia de chita, acho que combina com amor.
Estou a três passos de ser totalmente consumida pela chama viva
Mas o que há de queimar em mim, senão o próprio fogo do amor eterno, que por três passos não se confunde com meu próprio eu?
Amo receber flores de Abelardo,
Ainda mais quando ele elogia o meu vestido azul
Com seu olhar azul que é só mar
A três passos do amor, sinto o cheiro de amar presente
Pitangas alaranjadas com textura de caqui...
Sinto o frio na barriga da roda gigante
E uma esperança cintilante de poder eternamente flutuar
Três passos apenas me levarão ao abismo infinito de ser amor,
De ser amar
Tenho a sensação que isso, ao mesmo tempo, me fará oceano
Queria tanto ser água...
Estou a três passos de virar amor.
Disseram-me que precisaria aprender francês,
O que me parece inútil...
Comprei uma saia de chita, acho que combina com amor.
Estou a três passos de ser totalmente consumida pela chama viva
Mas o que há de queimar em mim, senão o próprio fogo do amor eterno, que por três passos não se confunde com meu próprio eu?
Amo receber flores de Abelardo,
Ainda mais quando ele elogia o meu vestido azul
Com seu olhar azul que é só mar
A três passos do amor, sinto o cheiro de amar presente
Pitangas alaranjadas com textura de caqui...
Sinto o frio na barriga da roda gigante
E uma esperança cintilante de poder eternamente flutuar
Três passos apenas me levarão ao abismo infinito de ser amor,
De ser amar
Tenho a sensação que isso, ao mesmo tempo, me fará oceano
Queria tanto ser água...
sexta-feira, novembro 24, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Hoje estive conversando com uma amiga sobre dejavour (Nem sei se é assim que escreve). Aí lembrei de um texto que escrevi ha alguns anos quando estive a pensar sobre isso. É como se fosse uma abertura acidental de uma válvula que permitisse que tivessemos consciencia das coisas no exato momento em que elas acontecem, então, no momento posterior em que as sentimos de fato (momento este no qual normalmente nos apercebemnos dos acontecimentos), temos a capacidade de lembrar da experiencia anterior. E esse tempo morto pode levar um período desconhecido...
Por issso, vou postar o referido texto aqui
Estrelas
O brilho da estrela que vejo
Me conta o passado.
O deslizar das horas pelos centímetros espaciais.
O que está acontecendo lá fora
Neste momento eu não posso saber
Ficarei a mercê de alguns anos-luz.
E o que se passa comigo agora,
Em que instante aconteceu?
O que se passa comigo agora,
Em que instante saberei?
Qual o abismo que me separa de mim mesmo?
A estrela que o brilho eu vejo
Já não sei se existe mais.
E eu, sentindo-me agora,
Será que ainda sou?
Quando saberei se o meu brilho já se apagou?
A solidez do presente se dissolve
Dissolve também a certeza.
Ver não é mais garantia
Ser, já não é convicção.
As estrelas enganaram por séculos a ciência
E continua obscuro
O mistério da duvidosa existência.
Por issso, vou postar o referido texto aqui
Estrelas
O brilho da estrela que vejo
Me conta o passado.
O deslizar das horas pelos centímetros espaciais.
O que está acontecendo lá fora
Neste momento eu não posso saber
Ficarei a mercê de alguns anos-luz.
E o que se passa comigo agora,
Em que instante aconteceu?
O que se passa comigo agora,
Em que instante saberei?
Qual o abismo que me separa de mim mesmo?
A estrela que o brilho eu vejo
Já não sei se existe mais.
E eu, sentindo-me agora,
Será que ainda sou?
Quando saberei se o meu brilho já se apagou?
A solidez do presente se dissolve
Dissolve também a certeza.
Ver não é mais garantia
Ser, já não é convicção.
As estrelas enganaram por séculos a ciência
E continua obscuro
O mistério da duvidosa existência.
terça-feira, novembro 21, 2006
Engravidou de si mesma. Colocou no seu ventre sua própria semente e eis que germinou! Sentia por si tão profunda estima que resolveu perpetuar-se, reproduzindo cada detalhe conhecido seu. Passou a vida inteira ocupando-se em perceber-se e agora dominava os passos essenciais para sua construção.Sempre desejou a sensação de enxergar-se a partir de dentro e sentir-se internamente a partir dos limites da sua estreita camada exterior. O corpo, faria igual? Ou deixaria-o crescer natural? Se ele fosse mesmo o reflexo do conteúdo infinito interior, cresceria e tomaria as formas identicas ao corpo atual. Deixou-o livre então...Experimentou o deleite de ser tenra e madura na mesma criatura. Engravidou de si mesma e desejou eterna a sua gestação, para sentir-se crescendo dentro de si num processo eterno de perpetuação. Ia nascendo aos poucos e morria um pedaço a cada nascimento seu. E assim viveu por um tempo desconhecido. Como nós mesmos, que não sabemos reconhecer quando morre uma partícula da alma. É preciso calma para renascer...
Um post atrasado
Burn one down
Eu me senti lá denovo
Essa canção me levou pra lá outra vez
Senti o cheiro daquela tarde
Fiquei paralizada com as lembranças
Que estavam adormecidas em paz
Queria tanto não lembrar mais,
Mas aqui estou eu...lá outra vez.
Senti o vento que penetrava em meus póros
E vi as folhas dançarem em rítimos mil
Ai meu deus, esta canção...
Pensei que tivesse esquecido,
Mas aqui estou eu...lá outra vez.
Eu senti toda a magia denovo
Meu corpo reagiu trêmulo a estas sensações
Que se empregnaram doces na memória
Na alma, e em outras dimensões
Eu vi denovo a flor melancólica,
Eu vi denovo a lua no céu
Senti aquela tarde emoldurada nesta canção
Eu não queria sentir mais isso,
Mas aqui estou eu...lá, outra vez.
[14 junho 2003]
Eu me senti lá denovo
Essa canção me levou pra lá outra vez
Senti o cheiro daquela tarde
Fiquei paralizada com as lembranças
Que estavam adormecidas em paz
Queria tanto não lembrar mais,
Mas aqui estou eu...lá outra vez.
Senti o vento que penetrava em meus póros
E vi as folhas dançarem em rítimos mil
Ai meu deus, esta canção...
Pensei que tivesse esquecido,
Mas aqui estou eu...lá outra vez.
Eu senti toda a magia denovo
Meu corpo reagiu trêmulo a estas sensações
Que se empregnaram doces na memória
Na alma, e em outras dimensões
Eu vi denovo a flor melancólica,
Eu vi denovo a lua no céu
Senti aquela tarde emoldurada nesta canção
Eu não queria sentir mais isso,
Mas aqui estou eu...lá, outra vez.
[14 junho 2003]
domingo, novembro 12, 2006
Estou por aki para dizer que ainda estou viva, apesar de sem inspiração. O que pode soar como um paradoxo, mas que seja então...
Deveria postar as fotos do ultimo feriado, mas realmente não ficaram boas. Na minha memória estão todas vivas. A lua. O céu. O mar. O silêncio. O canto dos pássaros. O brilho dos olhos. A moqueca de camarão.
Engraçado, tenho pensado esses dias que a gente poderia poder "dar um CTRL Z" em todas as coisas que a gente faz. Um documento q a gente rasga e depois descobre que não era pra ter rasgado. A roupa que a gente tintura e descobre que a cor não ficou legal. O e mail enviado. O móvel que a gente muda de lugar. A pílula ingerida e tantas coisas mais...Talvez esta impossibilidade seja positiva, pra gente ficar mais atenta e evitar de fazer as besteiras que a gente faz.
Deveria postar as fotos do ultimo feriado, mas realmente não ficaram boas. Na minha memória estão todas vivas. A lua. O céu. O mar. O silêncio. O canto dos pássaros. O brilho dos olhos. A moqueca de camarão.
Engraçado, tenho pensado esses dias que a gente poderia poder "dar um CTRL Z" em todas as coisas que a gente faz. Um documento q a gente rasga e depois descobre que não era pra ter rasgado. A roupa que a gente tintura e descobre que a cor não ficou legal. O e mail enviado. O móvel que a gente muda de lugar. A pílula ingerida e tantas coisas mais...Talvez esta impossibilidade seja positiva, pra gente ficar mais atenta e evitar de fazer as besteiras que a gente faz.
domingo, outubro 29, 2006
A livre prisão de um sonho
Essa noite tive um sonho,
Sonhei que eu era um sonho sonhado por alguém
Tive medo de abrir os olhos
E descobrir que tudo não era sonho apenas,
Tive medo de quem me sonhava
De repente acordar
E eu desaparecer.
Estou sonhando dentro do sonho de alguém,
Um alguém que também é só sonho
Outro sonho sonhado numa estação de trem
Talvez eu esteja tão acordada
Que não perceba o sonho que sonharam de mim
Começo a ficar desconfiada
Que tudo que vejo foi eu que criei
No meu subsonho...
Mundo que eu mesmo inventei.
Vidas são universos infinitos
Sonhando juntos sonhos distintos...
Agora, de olhos abertos, tento entender o meu devaneio.
A minha existência é um sonho
Dentro do sonho de quem desconheço
Mas onde será o começo do fim?
Quem irá despertar primeiro?
Eu, que sonho a minha vida,
Ou aquele que, sonhando, trouxe vida pra mim?
Acordar será encontrar o caos
E no caos descobrir
O poder de despertar o sono de quem me sonhou
Serei sonho do meu sonho apenas
Serei sonho do cosmo e só!
Fusão suprema de cada universo sonhador
Aquele que nos adormece
Com o qual encontramos ao despertar
De onde partimos,
Pra onde retornamos
Vivendo a história que nos for dada a sonhar
Agora já não sei o sonho que me acorrenta
Já não sei se pretendo me libertar.
Sonhei que eu era um sonho sonhado por alguém
Tive medo de abrir os olhos
E descobrir que tudo não era sonho apenas,
Tive medo de quem me sonhava
De repente acordar
E eu desaparecer.
Estou sonhando dentro do sonho de alguém,
Um alguém que também é só sonho
Outro sonho sonhado numa estação de trem
Talvez eu esteja tão acordada
Que não perceba o sonho que sonharam de mim
Começo a ficar desconfiada
Que tudo que vejo foi eu que criei
No meu subsonho...
Mundo que eu mesmo inventei.
Vidas são universos infinitos
Sonhando juntos sonhos distintos...
Agora, de olhos abertos, tento entender o meu devaneio.
A minha existência é um sonho
Dentro do sonho de quem desconheço
Mas onde será o começo do fim?
Quem irá despertar primeiro?
Eu, que sonho a minha vida,
Ou aquele que, sonhando, trouxe vida pra mim?
Acordar será encontrar o caos
E no caos descobrir
O poder de despertar o sono de quem me sonhou
Serei sonho do meu sonho apenas
Serei sonho do cosmo e só!
Fusão suprema de cada universo sonhador
Aquele que nos adormece
Com o qual encontramos ao despertar
De onde partimos,
Pra onde retornamos
Vivendo a história que nos for dada a sonhar
Agora já não sei o sonho que me acorrenta
Já não sei se pretendo me libertar.
quinta-feira, outubro 26, 2006
terça-feira, outubro 24, 2006
Braimstorm de Paixões
Montanha. Pôr-do-sol. Flor. Banho de mar. Cachoeira. Nuvem. Estrela. Andar descalça. Sabores. Texturas. Lilás. O novo. O belo. O imprevisível. O não entender. Poesia. Canções. Livros. Sorvete com batata frita. Brisa. Amigos. Violão. Verde. Devaneios. Sonhos lúcidos. Leveza. Profundidade. Tomate. Cheiro de chuva. Chuva chovendo em outro lugar. Viajar, viajar, viajar!! Derramar-se em palavras. Cinza. Mudanças. Orégano. Sorrisos. Brincos. Confusões que transformam. Ação. Cochilo de tarde. Rede. Caminhar sem destino. Saias. Sons de flauta. O simples. Céu estrelado. Céu nublado. Céu negro. Céu azul. Estar em sintonia. Sentir, sentir, sentir!! Viver. Deixar fluir. Apaixonar-se. Desacostumar-se. Lembrar-se. Escquecer. Matar saudades. Camping. Malabares. Rítimos. Movimento. Água. Ciclos. Equilíbrio. Caos. Vale do Capão. Olhar expressivo. Evolução. Aprendizado. Coco gelado. Suco de Tiga. Abraço apertado. Acarajé. Girar. Silêncio. Pinturas. Maçãs. Experimentalismo. Filtro do sonho. Números. Vida. Desapego. Árvores. Canto de pássaros. Fotografias. Borboletas. Diálogo. Sementes. Pessoas. Descobertas. Transformação...
sexta-feira, outubro 20, 2006
quinta-feira, outubro 19, 2006
Estranha Nitidez
Vejo a amplidão da minha existência
Isso me apavora!
Pálida luz nos olhos da criança
Que, alheia, na calçada descansa
Horas caminha descalça, sorri.
Por um instante meus olhos abriram-se para o mundo
Estranha nitidez!
Não,
Não me atormentem com a vida que acontece
Nas tardes de abril
Tirem-me daqui
Devolvam-me o tempo em que as horas passavam
E os grãos da ampulheta caindo não me importunavam os ouvidos
Excessivamente grave é a minha lucidez!
Já não pretendo o absolutismo das coisas
Basta-me um sorriso mudo num semblante cheio de dor.
Uma brisa gostosa acaricia meu rosto
Mas intensos demais são os raios que me ultrapassam a retina
Aperto bem forte com as mãos os meus olhos
Procuro o alívio dos cegos
Estranha, muito estranha nitidez.
Bato portas,
Fecho janelas
Amarro-me à cadeira da sala com a linha do equador
Não quero ver-te,
Sentir-te
Prefiro a ignorância dos tolos
Atormente-me esta tão estranha nitidez.
Vejo a amplidão da minha existência
Isso me apavora!
Pálida luz nos olhos da criança
Que, alheia, na calçada descansa
Horas caminha descalça, sorri.
Por um instante meus olhos abriram-se para o mundo
Estranha nitidez!
Não,
Não me atormentem com a vida que acontece
Nas tardes de abril
Tirem-me daqui
Devolvam-me o tempo em que as horas passavam
E os grãos da ampulheta caindo não me importunavam os ouvidos
Excessivamente grave é a minha lucidez!
Já não pretendo o absolutismo das coisas
Basta-me um sorriso mudo num semblante cheio de dor.
Uma brisa gostosa acaricia meu rosto
Mas intensos demais são os raios que me ultrapassam a retina
Aperto bem forte com as mãos os meus olhos
Procuro o alívio dos cegos
Estranha, muito estranha nitidez.
Bato portas,
Fecho janelas
Amarro-me à cadeira da sala com a linha do equador
Não quero ver-te,
Sentir-te
Prefiro a ignorância dos tolos
Atormente-me esta tão estranha nitidez.
terça-feira, outubro 17, 2006
Atravessou a rua distraída, olhou para os lados de forma automática, sem prestar muita atenção. Viu na calçada um mendigo deitado, mas nada que não fosse normal. Repentinamente o olhar de Frederico cruzou-se com o seu. Reconnheceu ali um brilho familiar e teve a impressão de que, algumas sensações, os anos pouco conseguiram apagar . Os carros que passavam interrompiam o momento infinito do reencontro. Incrível como preservava o mesmo jeito de pegar nos cabelos e a maneira iluminada de sorrir. No instante eterno em que os olhares se cruzaram disseram em silêncio todas as palavras que ficaram por ser ditas. E não menos estranha foi a sua maneira costumeira de partir...
segunda-feira, outubro 16, 2006
segunda-feira, outubro 09, 2006
Zé [Vanessa da Mata]
Você dita ao meu coração
O que ele não quer aprender, Zé
Você quer que o meu coração
Siga a tua receita só
Não, quero que aceite
O jeito que eu te dou de mulher
Não, e aproveite
O resto o tempo dá jeito
Mesmo que tenha a minha oração
Que você dispensa Zé
Você faz com que o meu coração
Siga a tua beleza só
Vá lembrar a tardinha
Quando nos conhecemos Zé
Havia uma beleza ali
Ou era criatividade minha
Quando andava pela rua
Cor de sol amarelo ouro
Me fitava e eu me avermelhando
Som de jardim de sonho
Zé era seis da tarde
Dia e escuridão
Tinha tom, sino e alarme
Roubando o meu coração
Hortelã, alecrim e jasmim
Ave Maria cantando
Ela tão satisfeita por mim
E eu num galho do sol
Que nem passarinho
Que nem passarinho
Desvanecida de amor
Cor de carmim
O que ele não quer aprender, Zé
Você quer que o meu coração
Siga a tua receita só
Não, quero que aceite
O jeito que eu te dou de mulher
Não, e aproveite
O resto o tempo dá jeito
Mesmo que tenha a minha oração
Que você dispensa Zé
Você faz com que o meu coração
Siga a tua beleza só
Vá lembrar a tardinha
Quando nos conhecemos Zé
Havia uma beleza ali
Ou era criatividade minha
Quando andava pela rua
Cor de sol amarelo ouro
Me fitava e eu me avermelhando
Som de jardim de sonho
Zé era seis da tarde
Dia e escuridão
Tinha tom, sino e alarme
Roubando o meu coração
Hortelã, alecrim e jasmim
Ave Maria cantando
Ela tão satisfeita por mim
E eu num galho do sol
Que nem passarinho
Que nem passarinho
Desvanecida de amor
Cor de carmim
domingo, outubro 08, 2006
O que tu és teu
E daí?
Além do teu nome, o que mais é teu?
As roupas que guardas no armário,
O medo que escondes bem fundo,
O amigo que tu conquistastes?
É tua a tua história,
Ou és só parte da história de alguém?
Existirá alguém que possua?
Consolo...
O abraço que tu destes?
As palavras que saíram da tua boca,
A idéia que julgastes louca,
É tudo teu também?
O caminho que tu escolhestes,
Foste tu mesmo que escolheu?
Tu abriste a porta, ou o mundo abriu-se diante de ti?
Entrastes!
É tua a tua conquista?
Teu desejo?
Teu sonho, será que é teu?
Teu destino, tua sorte...
E ao tempo, o que pertence?
O acaso o que te deu?
O teu passado, de quem será?
Viveste.
Carregas contigo a memória
Levas em teus braços os anseios
Da vida que pensastes ser tua
És fragmento e totalidade
A ti nada pertence,
Pertences!
Tu já és o que queres possuir
Teu é apenas teu mundo
Criastes!
Além do teu nome, o que mais é teu?
As roupas que guardas no armário,
O medo que escondes bem fundo,
O amigo que tu conquistastes?
É tua a tua história,
Ou és só parte da história de alguém?
Existirá alguém que possua?
Consolo...
O abraço que tu destes?
As palavras que saíram da tua boca,
A idéia que julgastes louca,
É tudo teu também?
O caminho que tu escolhestes,
Foste tu mesmo que escolheu?
Tu abriste a porta, ou o mundo abriu-se diante de ti?
Entrastes!
É tua a tua conquista?
Teu desejo?
Teu sonho, será que é teu?
Teu destino, tua sorte...
E ao tempo, o que pertence?
O acaso o que te deu?
O teu passado, de quem será?
Viveste.
Carregas contigo a memória
Levas em teus braços os anseios
Da vida que pensastes ser tua
És fragmento e totalidade
A ti nada pertence,
Pertences!
Tu já és o que queres possuir
Teu é apenas teu mundo
Criastes!
Escolheu morrer num sábado pela manhã. Porque sábado de manhã é sempre um dia feliz. As crianças comemoram a folga da escola, a comida é mais saborosa, a praia fica mais alegre e o dia é mais colorido até. Na noite de sexta feira tomou um banho dos mais demorados, disse qualquer coisa nos ouvidos do seu amor, arrumou os cabelos com uma delicadeza irreconhecível, vomitou algumas metáforas e deitou-se para esperar a próxima manhã. Ainda não amanheceu, de modo que não posso contar-lhes até que ponto ela sobreviveu...
sexta-feira, outubro 06, 2006
Bondes
De mim ficou um pouco no bonde
Um pouco de tudo em meus olhos,
Um pouco de tudo em meu tato
De mim, cada parte,
Retrato.
De tudo ficou um pouco bem longe
Um pouco de tudo algures
Um pouco de tudo na história
Do sonho, cada parte,
Memória
Guarda pra ti o retrato
Nele há vida pulsante
Conserva pra sempre a memória
Leva-a contigo em todo bonde,
Pra longe...
Do bonde, em mim, a saudade
Imagem que o tempo adormece
Poeira alguma a alcança
Do bonde, o ruído,
Lembrança.
De tudo, cada parte, nos trilhos
Nas nuvens de calor e fumaça
Na bagagem de quem segue em frente
De mim, do bonde,
Semente.
Um pouco de tudo em meus olhos,
Um pouco de tudo em meu tato
De mim, cada parte,
Retrato.
De tudo ficou um pouco bem longe
Um pouco de tudo algures
Um pouco de tudo na história
Do sonho, cada parte,
Memória
Guarda pra ti o retrato
Nele há vida pulsante
Conserva pra sempre a memória
Leva-a contigo em todo bonde,
Pra longe...
Do bonde, em mim, a saudade
Imagem que o tempo adormece
Poeira alguma a alcança
Do bonde, o ruído,
Lembrança.
De tudo, cada parte, nos trilhos
Nas nuvens de calor e fumaça
Na bagagem de quem segue em frente
De mim, do bonde,
Semente.
quinta-feira, outubro 05, 2006
O que me roubou a atenção foi um fio de cabelo suspenso no ar, equilibrado pela minha respiração. Estava quase curvando-se para tomar a forma do arco-íris que vi no caminho pela manhã. Na hora do desjejum vi a fala do meu avô nos lábios do meu pai. Ele me disse que se eu conseguisse chegar no pé do arco-íris encontraria um pote de ouro lá. Queria ter escutado isso na época em que se podia acreditar, mas sorri. O caminho para aula tem sido uma diversão. Me distraio com os carros ao redor, observo as árvores que as vezes passam despercebidas, vejo o movimento das pessoas...Hoje foi embalado por Baden Power "Quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém" e senti derrepente um gosto saudoso de acarajé...
Ainda sem título
Folhas amarelas da primavera cobriam o chão daquela manhã de sol tímido. Sentou-se, tirou do bolso um cigarro amassado, fitou-o e decidiu não fumar. Andava meio satisfeito com as suas confusões e temia que, acidentalmente, acabasse por resolvê-las - Cigarro é um poderoso ato de reflexão! Pelas cores do céu podia-se prever que não haveria pôr-do-sol, embora fossem tantas as horas até o entardecer. Pôs-se então a pensar para não pensar. Coloriu de amarelo alaranjado, com pitadas de azul, os seus pensamentos nublados. Novamente, num ato instintivo, puxou do bolso o cigarro amassado, e não menos instintivo foi seu ato de rejeição. Estava infinitamente feliz com as confusões que abrigava. Sentia-se satisfeito por tê-las conseguido criar. Cada uma delas, de maneira peculiar e não muito aguda, desordenava-o, fazendo-o experimentar a sensação desconhecida de emaranhar-se dentro de si. Apertava cada vez mais forte o cigarro, que não voltara a guardar no bolso. Aquele mesmo cigarro amassado que tentava roubar-lhe o encanto da confusão. Deitou-se no tapete amarelo produzido pela folhagem, deixou os braços abertos num ângulo inconfundível de prazer, e olhando para o céu cinza escuro, sentiu-se transbordar confuso de si, num segundo quase infinito. Sequer notou o cigarro amassado cair da mão...
PS.: Aceito sugestões para o título!
PS.: Aceito sugestões para o título!
segunda-feira, outubro 02, 2006
sábado, setembro 30, 2006
sexta-feira, setembro 29, 2006
Estou aqui, olhando pra tela, sem saber ao certo como escrever o que é preciso saltar para fora do pensamento. Hoje um amigo me falou que não consegue enxergar em mim a mesma pessoa que escreve. Alê: Esta sou eu! Não tente roubar de mim a descoberta mais preciosa que fiz. Este não-eu que às vezes escapole é a parte essencial deste eu que você vê. Se eu te contasse que tem uma população infinita morando dentro de mim...
Teve uma emoção que senti esses dias e ainda não consegui traduzir em linhas, mas vale a pena registrar aqui. Arrancaram todas as árvores que moravam nos fundos da minha janela, vão construir prédios, "Reserva Atlântica" é o nome do condomínio, estranho isso! Mais estranho foi eu chorar ao ver que do verde nada restou e não conseguir identificar as causas das minhas lágrimas. Chorei porque cortaram as árvores, ou porque não haveria mais árvores para acalmarem a minha visão? Chorei porque os pássaros perderam seus ninhos, ou porque não haveria mais canto de pássaros pela manhã? Engraçado que descobri que o canto mais doce que escutava ao acordar é de um pássaro que vive numa gaiola na janela do vizinho do primeiro andar. E eu que pensava que era a sinfonia da liberdade...Hoje ouvi falar de redes neurais, inteligencia artificial...Fascinante! Ando gastando demais, e nem sei o que fazer com as bobagens que compro. Ainda bem que o fim de semana chegou! Estou cansada, a rotina da semana tem me sugado demais...
quinta-feira, setembro 28, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
Há duas pinturas na parede,
De contornos distintos que me confundem os instintos.
Há duas saudades na estante
E um laço de fita que me enfeita o semblante
A moça do sapato lilás sou eu!
Sentada na calçada da cidade desabitada.
Eu quero chover meus sentimentos
E soluçar as risadas que eu não dei.
As duas pinturas me roubaram os pensamentos
E a textura das suas cores, eu pouco sei,
Eu nada sei...
De contornos distintos que me confundem os instintos.
Há duas saudades na estante
E um laço de fita que me enfeita o semblante
A moça do sapato lilás sou eu!
Sentada na calçada da cidade desabitada.
Eu quero chover meus sentimentos
E soluçar as risadas que eu não dei.
As duas pinturas me roubaram os pensamentos
E a textura das suas cores, eu pouco sei,
Eu nada sei...
terça-feira, setembro 26, 2006
Estou economizando olho,
Porque olhar em demasia prejudica a convicção!
Às vezes vejo coisas que não posso crer,
Às vezes levo o que vejo pro coração
E do olho a lágrima cai.
Vou observar tudo com os póros agora
Que se contraem automaticamente quando algo vai mal,
Fecho os olhos e vejo a memória do que vi
Abro os poros e permito a energia fluir
Estou com frio,
E não vejo outra saída senão escrever...
[Escrito em 19/09/2006]
sábado, setembro 16, 2006
Cidade
Nessa cidade de ruas estreitas,
De ruas largas,
Enladeiradas
Deixo pegadas que ninguém vê
Às vezes me perco na cidade
Só pra me encontrar
Só pra arriscar te ver
E as batidas de alguns tambores
No coração...
Quero colocar a cidade em mim
Nunca mais me senti assim
Esse deserto
Mesmo sem você por perto
Já consegui sobreviver
Eu sei que posso achar
Badalação e gente por aí
Mas hoje escolhi ficar comigo
Na minha calçada
Na minha cidade desabitada.
[Escrito em Abril de 2003]
De ruas largas,
Enladeiradas
Deixo pegadas que ninguém vê
Às vezes me perco na cidade
Só pra me encontrar
Só pra arriscar te ver
E as batidas de alguns tambores
No coração...
Quero colocar a cidade em mim
Nunca mais me senti assim
Esse deserto
Mesmo sem você por perto
Já consegui sobreviver
Eu sei que posso achar
Badalação e gente por aí
Mas hoje escolhi ficar comigo
Na minha calçada
Na minha cidade desabitada.
[Escrito em Abril de 2003]
sexta-feira, setembro 15, 2006
Felicidade
Mergulhou no mar para sentir-se mais livre,
E sucumbiu!
Primeiro, afogaram-se os sonhos,
Depois as pequenas mágoas,
Como cacos de vidro, sucumbiram as lembranças
Até faltar-lhe de todo o ar.
O mar parecia curvar-se para receber mais uma vida
Que já não era tão mais viva assim
Ondas quebravam na praia
Levando e despejando na areia as sobras de um domingo de sol
Plásticos, garrafas e palitos juntavam-se ao corpo sugado pelas águas
E o vento dançava soprando a rotineira canção.
Felicidade é afogar-se de tão livre
E morar pra sempre na imensidão do mar...
E sucumbiu!
Primeiro, afogaram-se os sonhos,
Depois as pequenas mágoas,
Como cacos de vidro, sucumbiram as lembranças
Até faltar-lhe de todo o ar.
O mar parecia curvar-se para receber mais uma vida
Que já não era tão mais viva assim
Ondas quebravam na praia
Levando e despejando na areia as sobras de um domingo de sol
Plásticos, garrafas e palitos juntavam-se ao corpo sugado pelas águas
E o vento dançava soprando a rotineira canção.
Felicidade é afogar-se de tão livre
E morar pra sempre na imensidão do mar...
quarta-feira, setembro 13, 2006
A pedido de Deby, e em homenagem a Sara...
O vendedor de palavras
Vende-se três linhas preenchidas com palavras
Palavras doces, suaves, até amargas
Sabe-se lá o que é preciso ouvir...
Segue em anexo sorrisos impressos
Olhares congelados, sabores e excessos.
Três linhas igualmente espaçadas
Para traduzir silêncios no pequeno vão
Vende-se palavras coloridas
Para quem precisa derramar a seiva do coração
Vende-se três linhas preenchidas com palavras
Palavras doces, suaves, até amargas
Sabe-se lá o que é preciso ouvir...
Segue em anexo sorrisos impressos
Olhares congelados, sabores e excessos.
Três linhas igualmente espaçadas
Para traduzir silêncios no pequeno vão
Vende-se palavras coloridas
Para quem precisa derramar a seiva do coração
segunda-feira, setembro 11, 2006
segunda-feira, setembro 04, 2006
Pôr-do-sol
Hoje eu não quero dormir sem ver o sol se pôr
Vou sair por essas ruas engarrafadas
Carros, buzinas, gente apressada
Faróis
Parece que a cidade mudou
Mas eu nunca amanheço igual
Já senti medo de tudo quase
E a sensação de que partia e ficava
Em cada esquina
Em cada vão
Às vezes perdida na imensidão
Perdida num silêncio em que se ousa apenas respirar
Equilibrando gritos roucos
Desejos loucos
Na velocidade das horas que não me pertencem
Hoje eu preciso ver o sol
Ver a bola de fogo ser engolida pelo mar
Antes de deixar a rotina me cegar.
Vou sair por essas ruas engarrafadas
Carros, buzinas, gente apressada
Faróis
Parece que a cidade mudou
Mas eu nunca amanheço igual
Já senti medo de tudo quase
E a sensação de que partia e ficava
Em cada esquina
Em cada vão
Às vezes perdida na imensidão
Perdida num silêncio em que se ousa apenas respirar
Equilibrando gritos roucos
Desejos loucos
Na velocidade das horas que não me pertencem
Hoje eu preciso ver o sol
Ver a bola de fogo ser engolida pelo mar
Antes de deixar a rotina me cegar.
segunda-feira, agosto 21, 2006
...E derramou-se em delicadeza, que exalava o perfume de bromélias azuis
A calçada estremeceu com seus passos firmes,
Firmes de uma delicadeza que fazia confundir gravidade com leveza
Era a delicadeza áspera de um sorriso opaco,
Com textura de sonho que não se recorda mais
Derramou-se intermitente por não caber mais em si
Ocupando com fluxo intenso os paralelepípados,
Os olhos alheios,
As correntes de vento...
A calçada estremeceu com seus passos firmes,
Firmes de uma delicadeza que fazia confundir gravidade com leveza
Era a delicadeza áspera de um sorriso opaco,
Com textura de sonho que não se recorda mais
Derramou-se intermitente por não caber mais em si
Ocupando com fluxo intenso os paralelepípados,
Os olhos alheios,
As correntes de vento...
quarta-feira, agosto 16, 2006
Fotografia do coração
Nas paredes, nas estantes, espalhados pelo chao,
Livros.
No silêncio interior,
Gritos.
Nos instantes de loucura, a doçura de um sorriso,
Que adormeceu.
Tragam duas resmas de papel para eu derramar meu sentimento
Tragam, em vasos coloridos, sonhos para eu florir.
Quero girar com saia rodada
Cantando com os olhos d'água
as rimas desta canção.
E se as histórias contam que o descompasso é normal
Eu digo "Não!"
Eu tenho o tom, eu tenho o tom...
08/08/2006
*E pra completar, a lua estava linda nesta noite
Nas paredes, nas estantes, espalhados pelo chao,
Livros.
No silêncio interior,
Gritos.
Nos instantes de loucura, a doçura de um sorriso,
Que adormeceu.
Tragam duas resmas de papel para eu derramar meu sentimento
Tragam, em vasos coloridos, sonhos para eu florir.
Quero girar com saia rodada
Cantando com os olhos d'água
as rimas desta canção.
E se as histórias contam que o descompasso é normal
Eu digo "Não!"
Eu tenho o tom, eu tenho o tom...
08/08/2006
*E pra completar, a lua estava linda nesta noite
domingo, agosto 06, 2006
E nó na garagnta, o que é que é? Será que é só tristeza? E como é que a gente chama aquilo que a gente sente e não sabe dizer o nome? Pode ser estranheza? Quero gastar as palavras, pra ver se o sentimento vai junto, mas acabo de vê-las escorregar no trampulim da minha cabeça. Ontem a noite sonhei que plantavam-se árvores no banheiro. E nascia-se macarrão. E brotavam flores amarelas. Foi uma sensação diferente, não menos esquisita do que a que estou sentindo agora. De onde mais brotam flores? Estou murcha, sei que de mim não são. Mas o que eu queria dzer mesmo, é que preciso dizer o que não sei como se diz. E a quem precisa ouvir, não me interessa. Digo calando-me para mim, é um artifício pra tentar me escutar. O nó na garaganta foi bem dado, é como aqueles que se usa no rapel. Devo ter pensado em rapel por estar querendo neste exato momento a sensação de não ter medo, e saltar! É estranho, sei lá...
segunda-feira, julho 24, 2006
Dedicatória do Autor
"...A todos esses que em mim atingiram zonas assustadoramente ineperadas, todos esses profetas do presente e que a mim me vaticinaram a mim mesmo a ponto de eu nesse instante explodir em: eu. Esse eu que é vós, pois não aguento mais ser apenas mim, preciso dos outros para me manter de pé, tão tonto que sou, eu enviesado, enfim que é que se há de fazer senão meditar para cair naquele vazio pleno que só se atinge com a meditação. Meditar não precisa de ter resultados: a meditação pode ter como fim apenas ela mesma. Eu medito sem palavras e sobre o nada. O que atrapalha a vida é escrever.
E-e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando..."
Clarice Lispector em "A hora da Estrela"
Vou me divertir esses dias com esta dádiva...
E-e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando..."
Clarice Lispector em "A hora da Estrela"
Vou me divertir esses dias com esta dádiva...
terça-feira, julho 18, 2006
Mas que coisa!
Uma coisa é inutil enquanto simplismente coisa. Fitei uma cadeira e duvidei da sua existência. Uma cadeira só é uma cadeira quando estou usando-a. Minha caneta, meu lápis, meu som...Tantas coisas são sempre apenas tantas coisas. Uma luneta não é nada para mim. To pensando até em comprar uma, deve servir pra olhar pro céu. E que coisa linda é uma estrela. Quer dizer, nem sei se estrelas são coisas. Eu não as uso com muita frequencia, e elas, iponentes , nunca deixam de ser. E o amor, só é amor quando se ama? Tem um moço que amo mesmo sem estar amando-0, de vez em quando fecho os olhos e descubro que aquele amor está lá. Sendo assim, o amor não é coisa nenhuma, pois a sua utilidade reside no simples ato de amar. Mas tem gente que precisa de coisas pra acreditar que o amor existe. Seriam as palavras coisas também? Qual a utilidade da palavra medo? Depois que eu a utilizo para descrever a sensação que tenho quando estou na altura infinita do precipício ela deixa de fazer sentido. Eu digo "medo", você consegue imaginar o que estou sentindo, e a palavra em si, deixa de existir.
Me lembrei de alguém que vivia me pedindo coisas para acreditar no meu sentimento, e um sorriso nunca serviu. Sorriso não é coisa, pois ele se perpetua depois que se encerra o ato de sorrir. É difícil caracterizar o que é de fato uma "coisa". E que coisa esquisita sou eu. Coisa? Tem sido constante o uso que faço de mim, mas não deixo de ser quando não utilizo o potencial que sou. Ou deixo? Meu Deus! Estou me sentindo a cadeira que fitei antes de começar a escrever...
Me lembrei de alguém que vivia me pedindo coisas para acreditar no meu sentimento, e um sorriso nunca serviu. Sorriso não é coisa, pois ele se perpetua depois que se encerra o ato de sorrir. É difícil caracterizar o que é de fato uma "coisa". E que coisa esquisita sou eu. Coisa? Tem sido constante o uso que faço de mim, mas não deixo de ser quando não utilizo o potencial que sou. Ou deixo? Meu Deus! Estou me sentindo a cadeira que fitei antes de começar a escrever...
segunda-feira, julho 17, 2006
Felicidade inexplicável
sexta-feira, julho 07, 2006
Um pedido inusitado
-Então vamos fazer um rangão?
Essa história de Thays se alimentar saudavelmente está me influenciando. Fomos ao mercado comprar folhas, verduras, massa integral...coisas desse tipo.
Eu me assustei quando ouvi a voz masculina atrás de mim. Estava na fila, terminando de enviar uma mensagem pelo celular. Olhei pra tráz e me deparei com aquelas feições que exibiam uns quarenta e poucos anos de cansaço, embriaguez, desgosto e tristeza.
-A senhora pode pagar pra mim? Perguntou ele levantando uma calabresa que fazia escorrer óleo em suas mãos. Afirmei que sim apenas com um aceno de cabeça, e fiquei tentando imaginar quanto custaria (em dinheiro) aquela boa ação. Após um período de silêncio, incomodada com o odor de alcool que exalava dele, perguntei:
- Estava bebendo foi?
Ele negou e começou a repetir aquele discurso comum entre os pedintes. "Eu não tomo nada de ninguém, feio é roubar, aliás, acho até que eu merecia mais do que isso da senhora". O teor das palavras não me agradou, soou como um prelúdio a um assalto.
Nas outras filas, as pessoas olhavam para nós e teciam comentários que eu não consegui identificar quais.
Thays, que tinha ido buscar o pão que haviamos esquecido, retornou e, notando a presença dele, lançou aquele olhar amedrontador que só ela tem, e que é capaz de deixar qualquer um sem ar. Ergueu as sombrancelhas para mim, num gesto de quem pergunta "O que está acontecendo?". E eu, também com o olhar, respondi que estava tudo bem.
-Vai comer isso aí com que? - Perguntou ela
- Com arroz
- Já tem arroz em casa?
- Já sim senhora. Só não tenho casa.
- E a farinha, já tem? Sobrepus a pergunta para não permitir que a resposta anterior penetrasse completamente na minha cabeça.
- Não senhora, não precisa
- Tem certeza que não quer levar o arroz? Thays insitiu
- Não senhora, mas sabe o que eu queria?
Esperamos ele responder imaginando que seria pedido feijão, macarrão, ou um quilo de frango até.
-Um salgadinho, preu levar pros meus filhos.
O olhar de surpresa de Thays foi notório. Lembrei daqueles dias que a gente tem vontade de fazer uma estravagância. Pedir o prato mais caro do restaurante, tomar um pote de sorvetes, beber o melhor vinho, mesmo que isso vá custar um pouquinho mais.
-Quanto filhos o senhor tem?
Ele respondeu com o dedos, e um sorriso disfarçado no rosto, que eram dois.
-Então pegue dois.
Thays ficou preocupada de ele não conseguir encontrar a nossa fila quando voltasse, mas em poucos minutos ele retornou com os dois pacotes de salgadinho na mão - um da elma chips e o outro de qualidade inferior.
-O senhor mora onde?
- Eu não tenho casa não senhora. Sou de Recife e to morando lá no viaduto da fonte nova. Às vezes moro lá, às vezes em um que tem lá em nazaré.
- E como é o nome do Sr?
Fernado José e um sobrenome que eu não consigo lembrar. Este era o nome da criatura suja que nos colocava de frente com a pobreza, a miséria, o frio e a falta de perspectiva.
-E porque o senhor estava bebendo? -Thays não cansava de tantas perguntas
- Senhora?
- PORQUE-O-SENHOR-ESTAVA-BEBENDO? Repetiu ela de forma bem articulada.
-Desgosto da vida! Respondeu instantâneamente. Provocando em mim um silêncio ensurdecedor, enquanto aquela história de vida provocava ruídos intensos em minha cabeça.
-E o senhor tem família em Recife?- Peguntei
-Tenho um irmão
-E ele não te ajuda?
- Não. - Fernado José riu.- Ele é sargento da polícia. Disse pra eu fazer por mim, porque ele fez por ele. As únicas pessoas que eram boas pra mim eram meu pai e minha mãe. Mas eles já morreram. O meu pai, pra senhora ter uma idéia, ao invés de me levar pra morar em um lugar decente, me levou pra morar com um monte de tarado.
Não compreendi a aparente contradição da informação.
-Tarado?- Indaguei
-Sim tarado!
Thays, mais uma vez, com um simples olhar conseguiu evitar que eu insistisse em arrancar detalhes da informação.
Estávamos impacientes porque o cliente da nossa frente tinha desistido de um ítem da compra e foi uma demora insuportável até o fiscal responsável pelo cancelamento chegar.
- Vamos deixar tudo aí e ir pra casa. Não aguento mais esperar. - Sugeriu Thays.
- Não senhora, epere mais um pouco. - Suplicou.
Os seguranças da loja ja estavam se mobilizando com seus aparelhos de rádio e olhares intimidadores.
- Algum problema aí?
- Ele está com a gente. -Respondemos
Ainda ouvi o comentário de um deles "fica dando ousadia, depois quando é assaltada lá fora, acha ruim."
As mercadorias dele foram registradas primeiro, ele embalou-as num saco e estendeu a mão para omprimentar Thays- Aquela mesma mão lambusada que segurava a calabresa pingando óleo. Depois de muito hesitar, ela retribuiu o ato, estendendo-o a mão. O cumprimento foi desses modernos que se dá um tapinha não mão e depois uma espécie de murro. Repetiu o cumprimento comigo, agradeceu-nos e sorrindo saiu caminhando com sua sacola na mão..
47 reais e oitenta e nove centavos foi o valor total da compra. Dos quais 3, 18 era a soma do preço de uma calabreza, um salgadinho da elma chips e um outro de qualidade inferior.
Essa história de Thays se alimentar saudavelmente está me influenciando. Fomos ao mercado comprar folhas, verduras, massa integral...coisas desse tipo.
Eu me assustei quando ouvi a voz masculina atrás de mim. Estava na fila, terminando de enviar uma mensagem pelo celular. Olhei pra tráz e me deparei com aquelas feições que exibiam uns quarenta e poucos anos de cansaço, embriaguez, desgosto e tristeza.
-A senhora pode pagar pra mim? Perguntou ele levantando uma calabresa que fazia escorrer óleo em suas mãos. Afirmei que sim apenas com um aceno de cabeça, e fiquei tentando imaginar quanto custaria (em dinheiro) aquela boa ação. Após um período de silêncio, incomodada com o odor de alcool que exalava dele, perguntei:
- Estava bebendo foi?
Ele negou e começou a repetir aquele discurso comum entre os pedintes. "Eu não tomo nada de ninguém, feio é roubar, aliás, acho até que eu merecia mais do que isso da senhora". O teor das palavras não me agradou, soou como um prelúdio a um assalto.
Nas outras filas, as pessoas olhavam para nós e teciam comentários que eu não consegui identificar quais.
Thays, que tinha ido buscar o pão que haviamos esquecido, retornou e, notando a presença dele, lançou aquele olhar amedrontador que só ela tem, e que é capaz de deixar qualquer um sem ar. Ergueu as sombrancelhas para mim, num gesto de quem pergunta "O que está acontecendo?". E eu, também com o olhar, respondi que estava tudo bem.
-Vai comer isso aí com que? - Perguntou ela
- Com arroz
- Já tem arroz em casa?
- Já sim senhora. Só não tenho casa.
- E a farinha, já tem? Sobrepus a pergunta para não permitir que a resposta anterior penetrasse completamente na minha cabeça.
- Não senhora, não precisa
- Tem certeza que não quer levar o arroz? Thays insitiu
- Não senhora, mas sabe o que eu queria?
Esperamos ele responder imaginando que seria pedido feijão, macarrão, ou um quilo de frango até.
-Um salgadinho, preu levar pros meus filhos.
O olhar de surpresa de Thays foi notório. Lembrei daqueles dias que a gente tem vontade de fazer uma estravagância. Pedir o prato mais caro do restaurante, tomar um pote de sorvetes, beber o melhor vinho, mesmo que isso vá custar um pouquinho mais.
-Quanto filhos o senhor tem?
Ele respondeu com o dedos, e um sorriso disfarçado no rosto, que eram dois.
-Então pegue dois.
Thays ficou preocupada de ele não conseguir encontrar a nossa fila quando voltasse, mas em poucos minutos ele retornou com os dois pacotes de salgadinho na mão - um da elma chips e o outro de qualidade inferior.
-O senhor mora onde?
- Eu não tenho casa não senhora. Sou de Recife e to morando lá no viaduto da fonte nova. Às vezes moro lá, às vezes em um que tem lá em nazaré.
- E como é o nome do Sr?
Fernado José e um sobrenome que eu não consigo lembrar. Este era o nome da criatura suja que nos colocava de frente com a pobreza, a miséria, o frio e a falta de perspectiva.
-E porque o senhor estava bebendo? -Thays não cansava de tantas perguntas
- Senhora?
- PORQUE-O-SENHOR-ESTAVA-BEBENDO? Repetiu ela de forma bem articulada.
-Desgosto da vida! Respondeu instantâneamente. Provocando em mim um silêncio ensurdecedor, enquanto aquela história de vida provocava ruídos intensos em minha cabeça.
-E o senhor tem família em Recife?- Peguntei
-Tenho um irmão
-E ele não te ajuda?
- Não. - Fernado José riu.- Ele é sargento da polícia. Disse pra eu fazer por mim, porque ele fez por ele. As únicas pessoas que eram boas pra mim eram meu pai e minha mãe. Mas eles já morreram. O meu pai, pra senhora ter uma idéia, ao invés de me levar pra morar em um lugar decente, me levou pra morar com um monte de tarado.
Não compreendi a aparente contradição da informação.
-Tarado?- Indaguei
-Sim tarado!
Thays, mais uma vez, com um simples olhar conseguiu evitar que eu insistisse em arrancar detalhes da informação.
Estávamos impacientes porque o cliente da nossa frente tinha desistido de um ítem da compra e foi uma demora insuportável até o fiscal responsável pelo cancelamento chegar.
- Vamos deixar tudo aí e ir pra casa. Não aguento mais esperar. - Sugeriu Thays.
- Não senhora, epere mais um pouco. - Suplicou.
Os seguranças da loja ja estavam se mobilizando com seus aparelhos de rádio e olhares intimidadores.
- Algum problema aí?
- Ele está com a gente. -Respondemos
Ainda ouvi o comentário de um deles "fica dando ousadia, depois quando é assaltada lá fora, acha ruim."
As mercadorias dele foram registradas primeiro, ele embalou-as num saco e estendeu a mão para omprimentar Thays- Aquela mesma mão lambusada que segurava a calabresa pingando óleo. Depois de muito hesitar, ela retribuiu o ato, estendendo-o a mão. O cumprimento foi desses modernos que se dá um tapinha não mão e depois uma espécie de murro. Repetiu o cumprimento comigo, agradeceu-nos e sorrindo saiu caminhando com sua sacola na mão..
47 reais e oitenta e nove centavos foi o valor total da compra. Dos quais 3, 18 era a soma do preço de uma calabreza, um salgadinho da elma chips e um outro de qualidade inferior.
terça-feira, julho 04, 2006
Conto em letras Garrafais
"Todos os dias esvasiava uma garrafa, colocava o seu pedido e jogava-a no mar. Nunca recebeu resposta, mas tornou-se alcoolatra."
*Li este conto no 3° ano, num lembro o nome do autor...
*Li este conto no 3° ano, num lembro o nome do autor...
sexta-feira, junho 30, 2006
Uma fotografia viva
Eu vi uma moça que parecia uma fotografia antiga. Pela sua moda defasada, seus cabelos desarrumados e olhar estático. A rua transbordava de transeuntes e eu observava o dia começar apressado pelo vidro embaçado da condução que me transportava para o meu destino rotineiro. Na cadeira da frente uma senhora levantou-se para ceder o lugar a um idoso que estava em pé tentando, a custo, equilibrar-se. Ele estava há horas do meu lado e eu sequer notei, tão distraída que estava com a vida que acontecia lá fora. Era a imagem viva da fotografia antiga que me roubava a atenção. Lembrei-me de uma moldura que tenho de mim quando criança, vestida numa moda igualmente defasada, de cabelos não menos desarrumados e uma magreza aguda que os anos muito pouco conseguiram amenizar. O senhor idoso permaneceu sentado apenas até a parada seguinte, onde desembarcou. Mas aquele trecho curto do trajeto pareceu infinito. Como uma fotografia que eterniza imagens, histórias e sensações.
quarta-feira, junho 28, 2006
Eu respirei bem fundo, para ver se do meu suspiro nascia alguma inspiração, mas nada me ocorreu. Tenho pensado só em equações, em modelos matemáticos, balanços de energia...e daí? Outro dia sonhei que para a minha viagem acontecer seria necessário resolver uma equação diferencial através de série de potências, mas tinha um coeficiente que eu não consegui determinar. Falando em séries, lembrei que estou devendo um post em homenagem a Murilo, meu leitor assíduo, como ele mesmo se entitula. Não sei como mesclar poesia e engenharia. Talvez se eu escrevesse "EU" estaria fazendo isso, pois estou impregnada dos dois. Mas, voltando às séries...o que gostaria de dizer, mas ainda não descobri como fazê-lo é a respeito do vício que criamos de enxergar as pessoas e coisas que nos cercam como formas sintetizadas de uma expansão em séries de infinitos termos, ou simplismente, truncá-las em um ponto, desprezando outros que comprometem completamente a sua essência. Faço isso comigo, cada dia desprezoum termo meu - que posso, com a licença da metáfora, chamar de aspecto- simplismente para simplificar a solução de mim. Mas qual é mesmo o motivo disto? É puro vício! Estava tentando encontrar as minhas condições de contorno, mas agora relaxei, pois a minha viagem aconteceu, mesmo sem que eu conhecesse aquela constante lá que não consegui determinar. Deveria estar assistindo aula de adsorção agora, mas estou de cabeça baixa enquanto ouço falar de sítios ativos, isotermas de Langmuir. Preciso sentir a textura de uma flor lilás para voltar ao equilíbrio das letras e dos números, entre o que é objetivo e o que é sentimento. Vou voltar a assistir aula, da janela da minha sala da pra ver o mar...
segunda-feira, junho 26, 2006
...
Há dias que sou mar,
Há dias que sou caverna,
Há ruídos que sou silencio,
Há segundos que sou eterna...
Há dias que sou caverna,
Há ruídos que sou silencio,
Há segundos que sou eterna...
domingo, junho 04, 2006
Uma frase sem sentido
Estou vazia da poesia. MAs sinto uma vontade pulsante de escrever. Faltam-me palavras, palavras estas que nem sei se existem. Há uns dias pensei nesta frase: "Nos vemos em outubro, quando o sol estiver brilhando mais". Desconheço o sentido disso, nem rima tem. Engraçado que mesmo sem encontrar a palavra exata pro meu agora, eu vou me esvaziando ao escrever. Parece que consigo afastar a estranheza que estou sentindo...
Preguiça
Há tanto o que fazer e eu permaneço aqui imóvel. Mas há tanto o que fazer mesmo! Nos sentidos todos. Sentir preguiça é gostoso, ainda mais quando está frio. Às vezes tenho preguiça até de viver, mas o tempo vai passando sem intervalos e a minha vida vai vivendo por si mesma, em meu lugar, sem que eu participe dela. Ainda não experimentei ficar isenta de pensamento, mas deve ser legal. Agora mesmo tentei: Ficar parada assim, apenas sendo...Engraçado isso, a minha vida ir vivendo absoluta enquanto eu descanso de viver. Mas somos cumplices, muitas vezes já vivi por ela, quando ela precisou se ausentar. Ando preguiçosa por demais. Vou sorrir um pouco, exercitar os musculos...
Assinar:
Postagens (Atom)

























